Ausências geram prejuízo de mais de R$ 1,5 mi


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De grão em grão, a galinha enche o papo. O ditado popular pode ser aplicado em relação ao montante de recursos desperdiçados com a falta de funcionários municipais. O levantamento feito pelo secretário de Administração e Recursos Humanos da Prefeitura de Franca, Jerônimo Sérgio Pinto, aponta que as ausências dos servidores municipais geram um prejuízo de mais de R$ 1,5 milhão por ano aos cofres da Prefeitura. A administração é obrigada a assumir todos os custos das faltas e afastamentos não superiores a 15 dias. Isso significa que, uma vez justificada por atestado médico, a falta do funcionário, ainda que prolongada por muitos dias, não pode ser descontada de seu salário. Dos 220 faltantes diários registrados pela Prefeitura, 50 estão nestes casos. "Fizemos as contas com o salário médio e os dias úteis que deixaram de ser trabalhados e chegamos a um valor de R$ 128 mil de prejuízos mensais com as faltas". Os outros 170 casos de ausências são de funcionários afastados do serviço por mais de 15 dias. "Nesses casos, não há impacto financeiro para o município, já que a Previdência Social assume o pagamento por meio do auxílio doença. O que é afetada é a qualidade do serviço porque temos que substituir esse funcionário seja por um outro ou por um terceiro a ser contratado", disse Jerônimo. Para se ter uma noção do peso das faltas no orçamento municipal, Jerônimo Sérgio disse que, com o valor pago anualmente aos faltosos, seria possível a Prefeitura construir 75 casas populares, comprar aproximadamente 54 carros para incrementar sua frota e até mesmo contratar 100 novas escriturárias. "É muito desperdício". Para reduzir o problema, a Prefeitura instituiu uma junta médica, formada por um clínico-geral, cardiologista e ortopedista e liderado por um especialista em Medicina Ocupacional. O objetivo é analisar se a patologia apresentada pelo funcionário no atestado médico é compatível ou não com a atividade exercida por ele dentro da administração. "A equipe, que analisa os atestados desde o final do ano passado e já reduziu sensivelmente o número de faltas por afastamento médico", garantiu o secretário. Os médicos são integrantes do próprio quadro de funcionários da Prefeitura e se reúnem, uma vez por semana, para analisar as justificativas de faltas. Com os médicos, a expectativa da Prefeitura é que os casos que são de má-fé sejam eliminados e se consiga chegar ao objetivo de se reduzir pela metade o número de afastamentos. Jerônimo lembra que dependendo do caso constatado, o funcionário pode até mesmo ser demitido. "Quando há má-fé clara, o processo administrativo dá punição". Ele cita alguns exemplos "estranhos" de pedidos de afastamento. Em um deles, segundo o secretário, uma das funcionárias ficou exatos 1006 dias afastada por problemas de saúde. A validade do atestado acabou na última quarta-feira e no dia seguinte ela não foi trabalhar alegando que estava com a pressão alta. "É, no mínimo, estranho que isso aconteça". Para os que acusam a Prefeitura de perseguir os servidores por fechar o cerco contra os atestados, Jerônimo responde: "Não é caça às bruxas, é apenas moralização do serviço público".

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