A pesca abundante


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O terceiro domingo do tempo litúrgico da Páscoa nos apresenta textos da Sagrada Escritura muito importantes para nossa vida comunitária. A primeira leitura da missa é retirada do capítulo 5 dos Atos dos Apóstolos: como Jesus de Nazaré foi perseguido, os apóstolos também foram presos, maltratados e martirizados. Cristo foi considerado um homem incômodo para os detentores do poder, quer político, quer religioso; os apóstolos, da mesma forma, foram incômodos para as autoridades constituídas e por isso foram perseguidos. Os cristãos autênticos não podem deixar de ser pessoas impertinentes, pois, o cristão não pode defender situações injustas, incompatíveis com o Evangelho. Os cristãos autênticos nunca deixarão sossegados os que pretendem fortificar idéias e atitudes que constituam violações dos direitos das pessoas. Mesmo sofrendo, Pedro não fica calado. Ele diz: “Aquele que foi condenado como uma pessoa perigosa, como um inimigo da ordem constituída, foi exaltado por Deus como Senhor e Salvador”. Esse ideal sempre será perseguido, entretanto, aquele que o possui deve manter-se “corajoso” e buscar sua concretização. A segunda leitura é colhida do livro do Apocalipse de São João. De onde viemos, para onde vamos, por que há vida, por que há morte, por que neste mundo há pessoas felizes e outras, sem qualquer culpa, passam por tantos sofrimentos? O trecho do Apocalipse vem nos dizer que o Cordeiro, isto é, Jesus, é o único que pode abrir o livro no qual se encontram respostas às questões mais misteriosas do coração do homem. Só ele pode iluminar os acontecimentos da história, dar um sentido a tantos dramas e a tantas angústias. O evangelho é retirado dos escritos de São João. Os discípulos experimentam os efeitos da “pesca milagrosa”. Jesus se aproxima dos discípulos quando estão trabalhando e o ofício que possuem é o de “pescador”. Eles estão na barca e em número de sete, que indica a perfeição. Estão no mar e este sempre foi considerado pelos israelitas como símbolo de todas as forças inimigas do homem. Desde o começo Jesus tinha dito aos seus discípulos que se tornariam pescadores de homens. Sua missão seria a de enfrentar as “ondas” do mar para “pescar” os homens, para tirá-los das águas, para livrá-los de todas as situações negativas que os impedem de ser livres, de amar, de planejar uma vida feliz. Cristo não foge do meio dos seus apóstolos. As dúvidas que eles possuem têm impedido que façam uma excelente pescaria. Quando, ao amanhecer, eles prestam atenção à palavra que lhes chega da margem, quando seguem as orientações de Jesus, quando confiam nele, eis o milagre: contra qualquer lógica humana, contra qualquer expectativa fundada, conseguem um resultado surpreendente. A experiência da comunidade primitiva é semelhante à nossa. Nós também devemos conseguir entender que Jesus, embora estando na “margem”, isto é, na glória do Pai, está sempre conosco, todos os dias, até o fim do mundo. A fé nos conduz à certeza de que ele continua fazendo ouvir a sua voz, chamando-nos, falando-nos, indicando-nos o caminho a seguir. Jesus nos aguarda na terra firme, isto é, no céu! REFLETINDO MAIS... No tempo litúrgico da Páscoa, é natural pensar: sem a presença de Cristo, nada acontece. Podemos nos esforçar muito e dedicar todas as horas do dia ao esforço de mudar o mundo, mas, se Cristo não estiver presente, se não escutarmos sua voz, se não ouvirmos as suas propostas, se não estivermos atentos à Palavra que ele continuamente nos dirige, os nossos esforços não terão êxito. Constantemente deve existir em nós o seguinte pedido: que Deus abra os nossos olhos para percebermos sua presença no meio de nossa luta e nos firme na missão, apesar de todas as dificuldades. Que Deus nos dê a graça de podermos repetir com nossa vida a confissão de Pedro: “Senhor, tu conheces tudo, e sabes que eu te amo”. Muitas vezes nosso modo de agir neste mundo se parece com o dos discípulos: vamos peregrinando nas escuridões sem contar com a luz do Ressuscitado. Muitas coisas não acontecem para nós, parece que quase tudo dá errado, às vezes pensamos que só reinam problemas na nossa vida... e não acordamos! Continuamos “hoje” como fomos “ontem”: o mesmo orgulho, a mesma vaidade, o mesmo mau-humor, a mesma prepotência, o mesmo... jeito de ser! Só conseguirei encontrar as vitórias, ter paz e uma vida mais calma, quando meu pensamento for manso, quando meu coração me ajudar a sair do pedestal que criei e no qual subi. Muitas vezes nossa insensibilidade não nos deixa enxergar nossos erros e por isso, não melhoramos. A insensibilidade nos afasta de Jesus e sem ele só experimentamos “catástrofes”. EM DEFESA DA VIDA Pré-pesquisa indica que 3% da população brasileira quer o aborto legalizado e 97% não quer. A nossa Igreja Católica se mobiliza para conscientizar seus fiéis que não é possível legalizar o aborto. O debate sem dominação deve existir para que os esclarecimentos sejam oferecidos e as dúvidas, revolvidas. Nós gostamos da vida apesar dos pesares, então, temos o direito de decidir a vida de quem ainda não pode opinar se quer viver ou morrer? Católico autêntico, cristão autêntico precisa dizer “sim” à vida e “não” ao aborto. Vamos espalhar a idéia. VALORES VERDADEIROS O mundo tem encontrado alguns valores que só servem para ferir nossa dignidade. O mundo ensina o valor do sucesso, mas o verdadeiro valor está na fraternidade. O mundo valoriza atos egoístas, mas o que enobrece é o amor. O mundo ensina o apego às coisas terrenas, mas o que enriquece é a partilha. O mundo ensina sobre o prazer, porém, o que traz verdadeira alegria é praticar o respeito para com todos. O mundo ensina o valor da vitória, doa a quem doer, Cristo, entretanto, ensina o valor do perdão, da compreensão que conquista a paz.

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