<p>Eleito com 15 votos contra 13, o engenheiro civil João Carlos Cheade, 59, toma posse na próxima terça-feira como o novo presidente da Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca). Natural de Franca e membro da associação há décadas, ele tem como sua principal bandeira a experiência adquirida em todo esse tempo. Apesar de nunca ter sido presidente, já assumiu a vice-presidência em outras quatro gestões e presidiu o Conselho Deliberativo da associação em outras duas oportunidades. </p>
<p><br />Casado e pai de quatro filhos, Cheade, nas horas vagas, gosta de leitura e de assistir filmes. Seu hobby preferido, porém, é viajar, principalmente se o roteiro incluir praias. Entre uma reunião e outra no prédio de sua empresa, a Conspen, que cuida de obras públicas, ele abriu uma brecha para a reportagem do Comércio da Franca e falou sobre como pretende administrar a Acif. No seu plano de trabalho, consta a continuidade dos projetos implantados pelo seu antecessor, Jayme Barbosa, e também a instalação de unidades da Acif em outras regiões da cidade, como aconteceu na Rua Francisco Marques na Vila Nova. Palestras e cursos para os associados também não devem faltar. Confira. </p>
<p><strong>Comércio da Franca - Quem é João Carlos Cheade?<br />João Carlos Cheade</strong> - Sou nascido em Franca e minha família é toda francana. Com alegria posso falar que meu pai foi dono do jornal Comércio da Franca (Jorge Cheade dirigiu o jornal entre as décadas de 50 e 70, ao lado de Alfredo Costa e Márcio Bagueira Leal). Somos radicados aqui há muitos anos. Sou formado em engenharia civil e engenharia de segurança no trabalho há 33 anos. Tenho a Conspen - Construção e Projetos de Engenharia - há 31 anos sediada em Franca. Ela presta serviços no Estado de São Paulo inteiro, principalmente na área de obras públicas. </p>
<p><strong>Comércio - Como o senhor começou na Acif?<br />João Cheade</strong> - A Acif tem uma longa história. O meu pai foi o primeiro secretário executivo e, desde essa época, já freqüentava a associação, mas simplesmente como um menino que passeava por lá. Depois de um determinado período, fui sócio da Acif nos anos de 78 a 87. Em seguida, saí e voltei em 91. Estou na Acif desde então. A partir desse retorno, fui convidado a fazer parte do Conselho Deliberativo. Nele, tive a honra e o privilégio de ser presidente do Conselho por duas gestões. Nos outros anos, participei da diretoria executiva. Foram quatros gestões como vice-presidente da entidade, inclusive na última de 2004 a 2006. </p>
<p><strong>Comércio - A pequena margem de diferença de votos, apenas dois, atrapalha na administração da Acif?<br />João Cheade -</strong> Durante toda a nossa campanha, ficamos muito tranqüilos porque sabíamos que o Conselho Deliberativo é muito maduro e estava um pouco dividido em função da qualidade das duas chapas que se apresentaram. A partir da eleição, não existe mais concorrentes e sim associados. Nunca houve racha na Acif. Só tivemos duas propostas diferentes e, delas, os conselheiros acharam que a nossa será a melhor. É um posicionamento de gestão e objetivo. Ficamos todos unidos em prol da entidade. </p>
<p><strong>Comércio - O fato da chapa do senhor ter cinco ex-conselheiros ajudou na eleição?<br />João Cheade</strong> - Existem quatro conselheiros que eram efetivos e saíram do Conselho para participar da diretoria, convidados pela gestão anterior. Eles continuam parte da nova diretoria, não voltam para o Conselho. Simplesmente aproveitei mais um conselheiro, amigo meu particular. São pessoas identificadas com a entidade. Uma diretoria renovada que ainda conta com a participação de duas mulheres. </p>
<p><strong>Comércio - Como fica a sua relação com o candidato derrotado Luís Prior?<br />João Cheade</strong> - Ótima. Minha relação com ele continua a mesma, o considero como um associado, como ele sempre foi. Ele é um associado, continuará sendo e terá as portas abertas porque a minha função como presidente da Acif é receber todos. As reivindicações dele também serão colocadas em discussão e, se possível, atendidas. Não só com o Prior, mas com todos daquela chapa. Se tivesse espaço na entidade, até poderia trazê-los para trabalhar comigo, mas isso é limitado. </p>
<p><strong>Comércio - O que muda da antiga gestão para a sua?<br />João Cheade</strong> - Primeiro, vamos dar seqüência a todos os trabalhos iniciados, não vamos cortar nada. Nosso foco será nos associados, queremos ampliar as regionais, queremos aumentar a prestação de serviços. A entidade é a casa do associado, ele merece o melhor conforto e atendimento. </p>
<p><strong>Comércio - De início, o que será feito?<br />João Cheade</strong> - Vamos assumir e ver a estrutura administrativa. Existe um projeto de modificação da área física externa, de aproveitamento melhor dos espaços. Em seguida, vamos ampliar o atendimento dos serviços. Depois vamos levar a entidade para o bairro e paralelamente, promover palestras para a comunidade e cursos para os associados. </p>
<p><strong>Comércio - Levar a Acif para os bairros não traria gastos extras?<br />João Cheade</strong> - Pode gerar mais custos, mas é compensado pela aquisição de novos associados daquela região. Não tem cabimento o associado da Avenida Brasil, por exemplo, sair de lá para vir ao no Centro em busca de algum serviço. Temos que ir até ele para devolver ao associado o que ele paga para nós. Não podemos beneficiar somente uma região. Queremos atender a região do Aeroporto, do Leporace, oferecer todo o atendimento prestado na sede. Vamos atrair novos associados e isso tem uma equalização de custo. Além disso, com mais associados teremos uma representatividade maior da entidade e, assim, conseguiremos trazer mais benefícios para o setor. </p>
<p><strong>Comércio - Há uma meta de quantos associados deverão ser conquistados?<br />João Cheade</strong> - Ainda não definimos as metas, ainda estamos estudando essas regionalizações e claro, cada uma terá um custo e esse precisa ser pago com os associados daquela região. Temos uma regional que funciona na Estação e tem dado certo. Ela será mantida e deverá ser ampliado o número de serviços prestados no local. Nas outras regiões, vamos discutir junto a diretoria e com os conselheiros para ver qual será o investimento necessário. Primeiramente estamos pensando em instalar uma unidade na Cidade Nova, próximo da Avenida Brasil, pois ali é o núcleo onde se tem o maior número de associados. Em terceiro vem o Leporace e depois o Aeroporto. </p>
<p><strong>Comércio - O que o senhor pensa da terceirização para administrar o Centro?<br />Cheade -</strong> A terceirização do Centro até parece um grande compromisso, mas não é isso. A praça Nossa Senhora da Conceição tem um custo muito alto de manutenção. Para poder administrá-la resolvemos realizar um convênio. Como o custo é alto, iremos repartir com a Prefeitura que vai repassar R$ 8 mil mensais para a Acif. A finalidade é agilizar os serviços de manutenção da praça, pois, pela Prefeitura, a recuperação demora em virtude de todo um processo burocrático. A nossa função a partir de agora é gerenciar esse trabalho, mas isso não fazemos sozinhos, precisamos de apoio e um respaldo da administração. É uma parceria muito salutar que vai beneficiar toda a cidade. </p>
<p><strong>Comércio - Há um projeto de ampliação desse convênio?<br />Cheade</strong> - Não, mas estamos abertos a fazer novas parcerias se elas beneficiarem os nossos associados. Não vamos firmar parceria em um local que não temos associados. No Centro da cidade, aquele setor comercial pujante, todos são associados. Estamos beneficiando os nossos sócios ao cuidar da praça central. Temos uma boa estrutura e queremos utilizá-la em prol daqueles que nos mantêm. O valor que vamos receber da administração municipal não é suficiente para tudo o que gostaríamos de fazer. Vamos precisar investir também, mas não temos um projeto completo do que será feito. Queremos modernizar a área central, mas é preciso estudar e estruturar melhor os projetos. Há muita coisa a ser feita. </p>
<p><strong>Comércio - Muito tem se discutido sobre a abertura do setor comercial nos feriados e aos domingos. O que o novo presidente da Acif pensa a respeito?<br />Cheade</strong> - Existem algumas datas importantes e a competência de abertura do setor comercial não é só da Acif. A Prefeitura, o Sindicato dos Trabalhadores do Comércio e o Sindicato dos Varejistas são os que têm autonomia para decidir. A Acif só recebe o anseio dos seus associados para determinada atitude que precisa ser tomada. Se o associado decidir que é oportuno abrir aos domingos, vamos lutar junto aos órgãos competentes para atendê-los, mas de forma tranqüila e de paz. Não queremos prejudicar nenhum funcionário ou lojista. Vamos trabalhar nesse sentido em função do associado. Quem manda é ele. Vamos sempre buscar acordos. A opinião do presidente é sempre a opinião da maioria dos sócios. O presidente não impõe. </p>
<p><strong>Comércio - O senhor tem algum projeto para atrair mais clientes para o Centro?<br />Cheade</strong> - Palestras em geral não atraem ninguém para fazer compra no Centro, mas pensamos em promovê-las para motivar o associado, o lojista ou industrial. Cursos vamos fazer muito para os três setores e nós teremos uma universidade à disposição para isso. Dentro da nossa chapa temos a Fabrícia Ludovice (filha de Clóvis Ludovice, um dos donos da Unifran) e ela vai gerenciar essa área. Também continuaremos com os eventos aos sábados no Centro e também nos bairros. No nosso projeto, queremos continuar com as promoções e estamos abertos para sugestão. Queremos incrementar as ações.</p>
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