Máfia recolhe caça-níqueis antes da polícia


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Imagem publicada no dia 1º de abril mostra homem fazendo apostas em máquina localizada em bar do Jardim Aeroporto
Imagem publicada no dia 1º de abril mostra homem fazendo apostas em máquina localizada em bar do Jardim Aeroporto
Foi um exemplo de lentidão da polícia diante da rapidez do crime organizado. Vinte dias após o Comércio denunciar que as máquinas caça-níqueis eram operadas livremente na cidade e uma semana depois de a Polícia Federal prender 25 suspeitos de participar de um esquema de exploração de jogos ilegais no País, a Polícia Civil de Franca resolveu sair às ruas, ontem, para apreender os equipamentos. Era tarde demais. As máquinas já haviam sido recolhidas pela rede que explora a jogatina. Na edição do domingo, 1º de abril, o Comércio publicou matéria mostrando a invasão das caça-níqueis. Eram pelos menos mil máquinas espalhadas por bares, restaurantes e padarias. Na Praça Barão, uma lanchonete situada a 30 passos da Base Comunitária Móvel da PM tinha três unidades. O esquema é comandado por uma rede que movimenta pelo menos R$ 2 milhões por mês na cidade. Entrevistado pela reportagem, o delegado seccional, Maury de Camargo Segui, havia dito que a polícia não tinha segurança jurídica para atuar. Na sexta-feira passada, 13 de abril, a Polícia Federal deflagrou a operação “Hurricane” (furacão, em inglês) e prendeu delegados, desembargadores e juízes. Eles são suspeitos de receberem propinas para não apreender máquinas e para avisar os exploradores caso houvesse alguma operação contra o jogo, além de venderem sentenças judiciais que beneficiam bicheiros e controladores de bingos. No dia 16, policiais apreenderam cerca de 10 mil caça-níqueis em um galpão na cidade de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. Na quinta-feira, a Polícia Civil de Paulínia (SP) apreendeu 28 máquinas em um bar no centro da cidade. As autoridades de Franca deixaram para agir ontem. Encontraram apenas marcas de poeira deixadas pelos equipamentos. A polícia não informou quantas máquinas conseguiu lacrar. A reportagem apurou que não passam de 15. “Com a repercussão dada pela mídia sobre a operação Furacão e com a vontade política que se criou em todo o País de tomar medidas mais enérgicas para o combate das máquinas, os donos deduziram que a onda chegaria até aqui e trataram de tirá-las de locais”, justificou Maury de Camargo. Segundo o chefe da Polícia Civil de Franca, os dois bingos da cidade estão amparados por liminares judiciais que ainda não foram derrubadas. Por precaução, as casas resolveram fechar suas portas ontem.

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