Se os jogadores do Franca Basquete terão complicações para derrotar Assis em seu ginásio, para os profissionais da imprensa a cidade as dificuldades também não serão poucas. Principalmente para quem trabalha em emissoras de rádio. Na maioria dos ginásios, em transmissões convencionais de jogos de basquete, o narrador e o comentarista ficam em uma cabine, de onde têm visão plena da partida. Somente o repórter, que acompanha o lance mais de perto, fica em quadra. No “Jairão”, contudo, não tem nada disso. Todo mundo fica em baixo, os fios se misturam com os das emissoras de televisão, as linhas das emissoras se confundem.
E tudo isso a menos de dois metros dos torcedores, que ameaçam e pressionam o tempo todo a imprensa que acompanha o time adversário. “É muito complicado trabalhar lá. Temos de ficar em pé, em cima de cadeiras para ver as jogadas. Fora isso, a torcida bate o tempo todo em uma bancada de madeira e xinga muito quando comemoramos cestas de Franca”, disse o narrador da Difusora AM, Carlos Zacarelli. “Se vacilar e der um passo para trás, a torcida pode nos agarrar”.
Até a Polícia Militar, em Assis, parece ter seu lado torcedor. Ao invés de ficar distribuídos por todo o ginásio, como acontece na maioria das cidades, inclusive Franca, os PMs ficam concentrados na porta do “Jairão”. Poucos seguranças particulares tentam assegurar a ordem.
A lotação é sempre total, pois, como não há cobrança de ingressos. Nestes dois jogos, o preço simbólico foi de dois reais. Ontem, os organizadores confirmaram que dez mil ingressos já foram distribuídos, ou seja, lotação total hoje e amanhã.
O clima está tenso. “Humilharam nossos jogadores em Franca. Agora, vamos sufocar os sapateiros aqui”, diz um torcedor de Assis na comunidade da equipe no Orkut. Só para registrar, essa era uma das mensagens menos agressivas.
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