Na sala, só uma poltrona velha e rasgada; em um dos quartos, a cama de casal divide espaço com colchões, enquanto que, no outro, o berço fica rente a uma cama de solteiro. A cozinha é extensão da sala; no fogão, apenas uma panela de arroz que será dividida por seis na hora do almoço.
Toda a casa da família que mora no Jardim Santa Bárbara é de chão batido e telhado de eternit. As rachaduras nas paredes comprovam a situação precária da casa. Os vizinhos temem que as próximas chuvas fortes possam derrubar a parede da sala e da cozinha.
A parte elétrica também é preocupante. A energia funciona por meio de "gato", ligações clandestinas da fiação dos vizinhos. Os fios passam pela casa, sem nenhuma proteção, e um curto-circuito pode causar incêndio e destruir o pouco que a família de Osvaldo Tomas de Oliveira, 52, possui.
No quintal de terra, em meio aos fios que geram a luz de uma das duas lâmpadas que a casa tem, Osvaldo conta que não pode trabalhar porque há três anos sofreu um derrame e um infarto.
Ele não pode fazer atividades físicas e suas mãos tremem.
Osvaldo e a mulher, Kátia Cristina de Castro, 33, sustentam os quatro filhos só com um salário mínimo que recebem como auxílio-doença.
Sensibilizados com essa situação, os vizinhos da família que reside na Rua Maura da Silva Santana, acionaram o Comércio da Franca para buscar auxílio. "A gente ajuda com comida, quando dá, mas a casa precisa ser reformada antes que ela desabe e eles não têm condições de pagar um pedreiro", disse a vizinha Maria Aparecida Custódia Almeida.
Por toda a casa, de quatro cômodos, é possível encontrar rachaduras, que já estão separando a parede do chão, e infiltrações. A Defesa Civil esteve no local e constatou a situação precária do imóvel. O caso foi encaminhado para a Secretaria de Urbanismo e Serviços Municipais.
Kátia disse que gostaria de voltar a trabalhar, mas encontra dificuldades de ser empregada por ter quatro filhos: Osvaldo Júnior, de 14 anos, Marcos, 2, André, 1 ano e 4 meses e Gustavo de três meses. "Eu já deixei currículo em várias empresas, já trabalhei como faxineira, mas fica caro me contratar e pagar os benefícios para todos os meus filhos".
Devido à grande umidade da casa, todo os filhos têm bronquite. Quem mais sofre com crises de falta de ar, febre e vômito é o caçula, ainda de colo. Kátia conta que tem que levar Gustavo constantemente ao hospital.
Ela recebia o benefício do programa Bolsa Família, mas teve o cartão cancelado porque seu filho mais velho parou de estudar.
Freqüência mínima de 85% nas aulas é uma das condições para receber o recurso. "Para receber ajuda é preciso cumprir com alguns deveres, como participar das reuniões do Cras, manter as crianças na escola, além de fazer acompanhamento médico", disse o secretário de Ação Social, Roberto Nunes Rocha, que prometeu encaminhar uma assistente social para orientar a família na próxima semana.
SERVIÇOS
Os interessados em ajudar podem visitar a casa da família na Rua Maura da Silva Santana, 2258, no Jardim Santa Bárbara.
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