57,96% dos francanos estão fora do mercado formal


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Júlia Bassalo comemora: primeiro emprego na formalidade
Júlia Bassalo comemora: primeiro emprego na formalidade
Júlia Bassalo Veluci Cruz,18, começou, há seis meses, a trabalhar em seu primeiro emprego como vendedora em uma loja de bijuterias do centro de Franca. O emprego veio da forma que ela queria, com carteira assinada. Caso contrário, diz, só aceitaria se estivesse precisando muito. "Depois, se eu for mandada embora, terei o seguro-desemprego e o Fundo de Garantia. Estou segura". A segurança de Júlia, no entanto, é privilégio de menos da metade da PEA (População Economicamente Ativa) da cidade. Segundo dados do Sistema Público de Empregos e Renda, do Ministério do Trabalho, apenas 42,04% da PEA são trabalhadores formais. O estudo, baseado no Censo/2000, mostra que a cidade tem 149.806 pessoas em idade produtiva, mas apenas 62.991 estão com carteira registrada. Os outros 57,96% restantes trabalham na informalidade (59.956) ou estão desempregadas e/ou não trabalham por opção própria (26.859). O PEA engloba todas as pessoas com idade a partir de dez anos que se encontram trabalhando ou na condição de desocupados à procura de trabalho. Para o professor de economia Hélio Braga Filho, o número é preocupante. Ele ressalta que o problema atinge todo o País e é reflexo da reestruturação produtiva que acontece no mercado. "Com a relocação industrial, algumas empresas estão deixando de produzir, terceirizando a produção, e outros trocando de Estados". A presidente do Sindicato dos Sapateiros de Franca, Paulo Afonso Ribeiro, diz que os dados mostram a precarização da força de trabalho e o instinto de sobrevivência do trabalhador. "Com a substituição da força de trabalho pelas máquinas, se colocou menos trabalhadores no mercado, o que gerou um excesso de mão-de-obra que, para sobreviver, vai para a informalidade". As afirmações de Paulo Afonso ganham peso com o saldo negativo de 1978 vagas verificadas na Indústria de Transformação de Franca no ano passado, também de acordo com o Sistema Público de Empregos e Renda. Hélio Braga lembra das dificuldades que os informais podem ter no futuro. "Eles perdem a garantia. Deixam de contribuir com a Previdência e lá na frente é que vamos sentir as conseqüências". O impacto negativo na própria Previdência também é citado pelo economista, já que o sistema não receberá as contribuições necessárias. Em relação a cidades do mesmo porte, Franca tem um índice de contratados menor que Bauru (42,49%) e Araraquara (45,91%) e maior que Limeira (40,16%). A média nacional é de 33%, enquanto a estadual fica em 41,7%. Em Ribeirão, o índice é de 44,96%.

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