Aborto: as marcas ficam na sociedade


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A portaria ministerial nº1508 de 1º de setembro de 2005, estabelece requisitos para o aborto humanitário, ou sentimental, previstos no inciso II do art.128. O primeiro é que seja praticado por médico e com o consentimento da mulher. Em caso de estupro, exime as vítimas da apresentação do Boletim de Ocorrência no âmbito do SUS. O procedimento de justificação passa por quatro fases, cujos resultados são arquivados no formato de termos ao prontuário médico, com garantia de confidencialidade. O parágrafo segundo prevê direito uma equipe multiprofissional que emitirá parecer técnico após entrevista pessoal. Essa equipe é composta no mínimo por obstetra, anestesista, enfermeiro, assistente social e psicólogo. A mulher é informada dos riscos, desconfortos, dos procedimentos que serão adotados, do sigilo e da forma de acompanhamento durante o procedimento, terminando aí a intervenção do Estado. Como sociedade, escolhemos tolerar as mortes de crianças não nascidas com o propósito de melhorar a vida das mulheres e suas famílias. As mulheres têm o direito de saber as marcas que terão de enfrentar, ou seja, a dor do pós-aborto, que não está prevista nas normas técnicas. De acordo com pesquisas médicas, esse fato tem causado às mulheres uma série de transtornos que vão desde depressão, uso abusivo de álcool, desordens alimentares a desordens do pânico e até tentativas de suicídio em casos extremos. Esse costuma ser o resultado do confronto com a dor, que não conseguem encarar para lidar, posto que não encontram quem as socorra de forma institucionalizada. Verifica-se então, a grande necessidade e importância da criação de programas de apoio, informação e acompanhamento; e que deveriam ter surgido com a mesma urgência e rapidez com que foram emitidas as normas técnicas e as portarias. Numa recente pesquisa internacional, nos EUA, 500 mulheres foram entrevistadas. Delas, 80% declararam que se tivessem apoio, não teriam se socorrido do expediente do aborto; 79% informaram culpabilidade, com incapacidade de perdoarem a si próprias e 49% confessaram-se com problemas de estarem próximas a crianças e bebês. A mídia não tem conseguido traduzir essa realidade pós-aborto. O trauma pode assumir proporções de tal monta que levaria as mulheres a recusarem entrevistas, preferindo o anonimato. Afinal, ninguém se preocupa com elas, mesmo! Há uma grande e oculta epidemia, infelizmente ignorada, mal diagnosticada e não tratada. Sua natureza endêmica está localizada na ausência de restrições e regulamentações para a proteção da saúde reprodutiva e psicológica das mulheres. A sociedade brasileira brevemente será submetida a consulta sobre a legalização do aborto. Então, com a palavra, a sociedade. BOM DIA, VERDADE! Falando em planejamento familiar e eugenia, é demais a história da mãe de quatro filhos, ela tuberculosa, o pai asmático e impedidos, os dois, de trabalharem. O primeiro filho nasceu cego, o segundo surdo, o terceiro e o quarto morreram. Frente a uma nova gravidez, se tivesse abortado, Ludwig Van Beethoven (1770 -1827) não teria nascido! DE CARA LIMPA Ativistas femininas rejeitam o "feminismo” quando reafirmam a crença na beleza do “ser mulher" completando o homem. Crenças por exemplo, que não rejeitem o ser "simplesmente, mãe e dona de casa". Não se escandalizam da gravidez e muito menos abominam famílias numerosas, como as de Rosa e Renato, Fabrícia e Roni, com 10 e 11 filhos, respectivamente. Vida! PAUSA PARA O CAFÉ Vereadora e delegada da Mulher, Graciela de Lourdes David Ambrósio, neste "coffee break" semanal, mostra seu incessante vigor na luta pela Casa de Apoio. Na Delegacia da Mulher, onde é titular promovendo justiça e direitos, devolve a capacidade de sonhar às mulheres, valorizando-as e capacitando-as para o trabalho. Jeito mulher de fazer política, jeito cidadão de ser mulher. Não espera acontecer! Em contrapartida, volta à lembrança a ocasião da discussão e votação de Moção de Repúdio ao Aborto, na legislatura passada, das quais alguns vereadores saíram em fila do plenário, como estratégia para "fugir da raia". Jeito homem de fazer política? Graciela lembra que "se houvesse apoio necessário da família, do companheiro e políticas sociais específicas, o aborto não seria a única opção". Café amargo, esse que experimentamos! AI, MINHA PACIÊNCIA Tem dó! Alguns (apenas alguns, felizmente) profissionais médicos acham que o cliente é apenas um número de prontuário e que nem o olhar devem lhe dirigir. São mestres numa grosseria institucionalizada. Ora, os usuários já pagam o salário e as contas do hospital e não podem ser penalizados com tanta arrogância. Alguns custos, a este exemplo, são muito altos. Impagáveis... IMPRESCINDÍVEIS! “Há homens que lutam um dia e são bons; há os que lutam muitos anos e são muito ótimos. Mas há os que lutam toda a vida. Estes, são imprescindíveis”. Bertoldt Brecht

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