O BNDES com Luciano Coutinho


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Para entender o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), a partir da indicação de Luciano Coutinho para a presidência, é preciso fazer uma digressão. Grosso modo, há três linhas de pensamento em relação ao BNDES. Uma, que vigorou de Eduardo Modiano (governo Collor) até o governo FHC, consistia em transformar o banco em um grande banco de investimento, trabalhando com modernas ferramentas financeiras e análises de planos de negócios, mas sem nenhuma visão estratégica ou estrutural. Especialmente na fase da privatização, foi um período absurdo. O Brasil então saía de um modelo estatal na siderurgia, na petroquímica, nos fertilizantes. Para transitar rumo ao modelo privado, havia a necessidade prévia de análises sobre as características desses setores no mundo. Por exemplo, a petroquímica exige consolidação, escala. Com a implosão do sistema Siderbrás, havia condição de se montar um grande grupo privado nacional, de controle compartilhado. Nada isso ocorreu. Optou-se por vender picado, para maximizar o valor de venda. A segunda linha de pensamento foi trazida de volta ao banco na gestão Carlos Lessa. Tentava se retomar o espírito dos anos 80, no qual o banco decidia sobre o futuro de setores, induzia o setor privado a investir maciçamente - muitas vezes, a realizar sobre-investimentos. Tentava-se recuperar não apenas o banco que ajudava a criar cenários futuros, como a moldar o País. O modelo não foi ressuscitado, em parte devido ao terremoto da transição, que desarticulou os quadros do banco e fez a gestão Lessa perder um tempo enorme para remontar a estrutura. Em parte porque os novos tempos já não comportavam esse modelo. Na regência de Guido Mantega e Demian Fiocca, o banco acabou aderindo a uma linha já delineada nos anos 80 pelo grupo que comandou a "teoria da integração competitiva", o plano de abertura econômica. Com o tempo, esse grupo passou a contar com Antonio Barros de Castro como o grande teórico. Ex-presidente do BNDES (no governo Itamar), Barros voltou para o banco com Mantega. Na sua visão, passou o tempo do banco definir setores vitoriosos. O Brasil é uma economia suficientemente sofisticada para que se apliquem as chamadas políticas horizontais - isto é, que influenciem todas as empresas indistintamente. Entre essas políticas estão a indução à inovação, à busca de novos mercados, à gestão, etc. Esse grupo também recuperou ferramentas financeiras desenvolvidas no período anterior, e que são bons instrumentos de ação. O problema do BNDES do período anterior não era utilizar ferramentas de bancos de investimento. Era se limitar a pensar como banco de investimento. O pensamento do economista Luciano Coutinho é similar ao de Barros de Castro. Luciano participou dos primeiros estudos para mapeamento das cadeias produtivas brasileiras, ainda no governo Collor - encomendados pelo mesmo grupo da "integração competitiva", que ocupou cargos no período. Essa experiência setorial será relevante para juntar a parte positiva dos diversos modelos em uma ação mais efetiva. Principalmente porque, a exemplo do primeiro governo FHC, o BNDES terá papel crucial para evitar o desaparecimento de diversos setores da economia, por culpa do câmbio apreciado. O MDIC O presidente da Embraer, Maurício Botelho, nega de pés juntos que tenha sido convidado para Ministro do Desenvolvimento. Convites não se fazem, sem antes se fazer sondagens. Sondado, ele foi. E discretamente explicou que tinha outros projetos de vida, bem mais prosaicos: curtir mais a família, os amigos, ir ao cinema, ao teatro. E, principalmente, fugir de viagens internacionais, que foi o que mais fez na Embraer. BNDES E MIGUEL A tentativa do novo Ministro do Desenvolvimento Miguel Jorge de indicar um colega de banco para presidente do BNDES deu com os burros n`água. Na verdade, Miguel Jorge aproveitou o momento da posse para pedir tudo a que tinha direito. Ao avançar sobre o que não tinha direito, acabou se queimando. Presidente de BNDES é atribuição mais importante do que Ministro. GÁS A Petrobrás tem um pé atrás com o biodiesel. Segundo seus técnicos, se toda área disponível no mundo fosse utilizada para a produção de biodiesel, não atenderia sequer 13% do consumo atual de diesel. Mas está apostando tudo no gás, não apenas no gasoduto com a Bolívia e a Venezuela, mas na exploração do gás de Santos. O gás será essencial para prevenir futuros apagões, que constam de alguns cenários. MANGABEIRA Roberto Mangabeira Unger é neto de um vulto da história, Otávio Mangabeira, americano por conta de um pai nascido lá. É professor de Direito em Harvard e acaba de ser indicado Ministro por Lula, para pensar o futuro. Tem escrito artigos interessantes na Folha, mas é capaz de pular em qualquer barco. Já passou por quase todos os partidos políticos, além de advogar para grupos empresariais polêmicos. BIODIESEL A Argentina já está entrando de cabeça no biocombustível. Em Santa Fé começou a ser produzido um biodiesel de palma com cultura associada. O país é grande produtor de girassol também. E tem enormes espaços de pastagem para culturas consorciadas. O norte da Argentina é um dos territórios em que usineiros brasileiros estão de olho para expansão futura de sua produção.

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