A paixão pela temática indígena define a produção do artista plástico Júlio Comodaro, de 28 anos, que expõe no Carrefour, até o dia 21 de abril, um conjunto de oito quadros em técnicas mistas e estilo hiper-realista. Sob a chancela Belezas do Brasil, o artista apresenta também telas com outros temas brasileiríssimos, como nossas flores nativas, fazendo questão de reforçar, entretanto, a primazia, em seu gosto particular, aos primeiros habitantes da `terra de palmeiras onde cantam os sabiás`. Aos visitantes, porém, o aviso: um de seus mais belos retratos de índios, intitulado Curumim, não está na mostra do Carrefour: foi selecionado para exposição no Salão de Abril de Belas Artes da Pinacoteca Municipal de Franca.
Mais conhecido em Franca por sua faceta musical como vocalista e violonista por cinco anos da banda de forró e maracatu Relô Rolô, formado em Publicidade, Júlio investe agora na pintura e na carreira-solo como músico, se apresentando em bares noturnos de Franca e região.
Há um ano esteve numa reserva de índios pataxós na Bahia e se encantou pelos motivos e cores da tribo, definindo-os, a partir daí como sua linha de trabalho no quesito óleo sobre tela. "Essa é uma fascinação antiga que se firmou com a visita. Fomos eu e minha noiva muito bem acolhidos pelos pataxós, que nos mostraram a floresta, nos inseriram em sua cultura, nos ofereceram de sua própria comida. A partir daí comecei a focalizar nessa produção de retratos de índios e tive ótima aceitação por parte de arquitetos e decoradores, na comercialização", conta ele.
Com intenso trabalho de pesquisa, Júlio diz não dispensar as imagens que ele próprio produz mentalmente, inspiradas por alguma visão fugaz em filmes, documentários, jornais, livros e revistas e transformadas depois em seu pincel em focos muito peculiares. Amante dos close-ups, o artista tem olhar e enquadramento de fotógrafo nas imagens que oferece ao público. "A simbologia contida nessa figura me agrada muito, o indígena evoca a idéia de espírito guerreiro, de união, de ecologia, de inocência", idealiza, lamentando, no entanto, o fato de não ter tido acesso à arte indígena em si. "Infelizmente, na tribo que conheci, não consegui especificamente as tinturas que eles próprios produzem. Parecem ser segredos que eles guardam a sete chaves. Acho que seria muito interessante aplicar técnicas exóticas nos quadros, mas quero continuar pesquisando", promete.
Lançando um olhar artístico a tudo que o rodeia, Júlio conta que essa aptidão vem de longe e parece não ter fim. "Desde criança eu gosto de pintar e desenhar. Estudei nas escolas Trevo e Santa Mônica, onde aprendi técnicas diversas, paralelas ao acadêmico, como espatulado, texturizações, aguadas, importantes na formação de um pintor. Mas abandonei essas aptidões em função do meu envolvimento com a música. Há algum tempo comecei a resgatar isso. Já pintei em pastel, fiz mosaicos, mas minha paixão mesmo é o óleo sobre tela, fui me aprimorando nessa técnica, pinto outros temas, do tipo florais, entre outros, mas vi a necessidade de segmentar e descobrir uma temática específica para ir nela me aperfeiçoando, daí os índios. Gosto do moderno e do abstrato e o produzo na medida da demanda, mas devo confessar que a minha praia é mesmo o realismo. Sou fascinado pela anatomia. Em termos das Belas Artes a figura humana é apaixonante", explica.
A Exposição Belezas do Brasil, aberta desde o dia 29 de março, põe à venda belas artes de apelos atávicos, com preços que vão de R$ 300 a R$ 800 em diversas dimensões e suportes. Vale a pena conferir.
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