Esperança renovada. Eram 11h30 de ontem, quando a pequena Marcela de Jesus Galante Ferreira, bebê que nasceu sem cérebro, deixou o quarto 3 da maternidade da Santa Casa de Patrocínio Paulista. Depois de quase cinco meses no hospital, Marcela finalmente ganhou alta. Com um sorriso estampado no rosto, Cacilda Galante Ferreira, mãe da criança, andou pelos corredores do hospital carregando a filha nos braços e comemorando o fato de que, amanhã, sua caçula completará cinco meses de vida.
Na saída do hospital, Cacilda cobriu o corpinho da filha com uma flanela e andou vagarosamente pelos corredores do local. Ao lado dela, seguiam o pai da criança, Dionísio Ferreira, a filha mais velha, Débora, 18, e a pediatra Márcia Beani Barcellos, que acompanha o bebê desde o nascimento. Cacilda sorria sem parar. "É indescritível a felicidade que estou sentindo. Só Deus para me proporcionar isso", disse.
Enquanto caminhava, ia se despedindo dos funcionários do hospital. "Aqui fiz amigos". Um deles é o provedor da Santa Casa, Emílio Bertoni, que acompanhou a saída das duas. "Vou visitá-las todos os dias", prometeu ele. Já na entrada da ambulância que as levariam para o novo lar, Cacilda dizia que nunca perdeu a esperança de levar a filha para casa. "Nunca deixei de acreditar nisso".
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Cercada de todos os cuidados, usando um vestido branco todo rendado e meia, a pequena Marcela partirá agora para uma nova etapa de sua vida: viver longe do hospital, auxiliada apenas por uma bomba de oxigênio e morando com sua família em casa simples no Bairro do Marumbé.
A chegada à nova residência foi discreta e a criança foi levada rapidamente para dentro de casa. Marcela e a mãe ficarão no mesmo quarto. O bebê vai dormir em um berço que foi das irmãs. "Ele foi usado pelas minhas duas filhas e sempre ficou esperando por ela. Só comprei o colchão".
Ao lado do berço, está instalado o concentrador de oxigênio elétrico, que ajudará na respiração do bebê. "A Marcela já não está tão dependente do aparelho. Ela consegue ficar até uma hora respirando sozinha, o que é muito bom", afirmou a médica. O equipamento foi alugado pela Prefeitura de Patrocínio Paulista, que se prontificou em ajudar a família.
A casa é modesta e tem sala, cozinha, banheiro e um quarto. Os móveis foram comprados pela família em Franca especialmente para mobiliar o local. Cacilda tentará levar uma vida normal a partir de agora. "Vou cuidar da casa e fazer crochê, que aprendi na Santa Casa", disse. O pai Dionísio, que mora em sítio distante 18 quilômetros de Patrocínio, disse que vai revezar com as filhas para não deixar Cacilda sozinha. "Agora fica mais fácil.
Estamos em casa", afirmou, acrescentando que fará de tudo para proteger a filha de curiosos.
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