A doméstica Miralva Soares da Paz, 38, moradora na Vila Santa Cruz, acusa a polícia de ter espancado e prendido indevidamente seu filho, o vidraceiro Joabe Soares da Paz, 22, por tê-lo confundido com seu irmão, Moabe, que acabara de cometer um assalto e também foi preso. Em plena via pública, o rapaz teria sido agredido e humilhado por policiais militares. Encaminhado ao Plantão Policial, o jovem foi autuado em flagrante e recolhido à Cadeia do Jardim Guanabara.
Os fatos ocorreram no último sábado, quando um ladrão, armado de revólver, invadiu uma distribuidora de bebidas no Bairro São José. Um comparsa ficou do lado de fora. Tão logo a dupla fugiu, a Polícia Militar foi acionada e efetuou um cerco nas redondezas. Com a descrição da vítima, prendeu Moabe.
Enquanto isso, Joabe participava de um churrasco, perto dali, em companhia de amigos e parentes. Em dado momento, saiu para buscar cerveja em um bar, do outro lado da rua. Mal deixou o local, foi abordado pela PM. “Os dois têm a mesma estatura, são parecidos. Nem perguntaram nada. Já jogaram ele no chão e o espancaram. Pisaram na cabeça dele”, disse Miralva, aos prantos. “Meu outro filho errou e agora tem que pagar, mas o Joabe estava em um churrasco na hora do assalto, não fez nada”.
Várias testemunhas confirmaram a versão da mãe. Uma delas. que pediu anonimato, afirma ter acompanhado todo o fato. “Ele pisou na rua e já foi enquadrado. Apanhou muito. O Joabe estava comigo e outras pessoas desde o meio-dia, como poderia estar em um assalto?”.
A versão das vítimas dá ainda mais força às afirmações da família e das testemunhas.
O subcomandante do 15º Batalhão, major João Paulo Brandão, disse que o caso não chegou ao seu conhecimento.
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