Inimigo ou aliado?


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A economia chinesa está ditando o ritmo da economia mundial nos últimos anos e, ao que parece, esse fenômeno vai continuar. Aliás, os chamados `Tigres Asiáticos` já ocupam lugar de destaque há muito tempo, sem nos esquecermos do Japão, uma das três principais economias do mundo. A própria Índia também já começa a se destacar e existe, ainda, outro aspecto importante a ser analisado que é o fato desses países estarem no hemisfério norte onde ocorrem 85% das trocas comerciais efetuadas no planeta. Os outros 15% são divididos entre América do Sul, África e Austrália. Nesse cenário, o Brasil participa com menos de 1% dessas relações. Mesmo com as grandes conquistas de alguns setores da economia brasileira, principalmente o agroindustrial com suas exportações, infelizmente, o Brasil ainda não é um país que planeja sua atuação nesse mercado mundial de trocas, e, com isso, as empresas nacionais acabam por enfrentar, sozinhas, a concorrência de empresas transnacionais, preparadas e protegidas por seus países de origem. Em um cenário como esse, não é de se espantar que a maioria dos empresários brasileiros veja os chineses como inimigos capitais e que também os enxergue como responsáveis por eventuais perdas de mercado interno. De fato, em inúmeros setores da nossa economia a invasão de produtos chineses tem ocasionado quebra de algumas empresas e perda considerável de mercado por outras. A China é hoje uma potência econômica com algumas contradições. Cresce, em média, mais de 10%, ao ano, porém, sofre maior degradação do meio ambiente, utiliza mão-de-obra com baixa remuneração, e ainda é vista como um concorrente desleal. Mas também existe um contraponto. Na China, também existe o direito de sindicalização dos funcionários, milhares de empresas possuem certificação de qualidade seguindo as normas ISO e CE, sem dizer que a China já foi reconhecida como economia de mercado na Organização Mundial do Comércio (OMC). Portanto, acreditar que a simples recusa em aceitar os chineses como grandes competidores no cenário mundial, salvaria as empresas brasileiras, nos parece ingenuidade. Em nosso ponto de vista, a estratégia a ser adotada é a própria tática de guerra que serve como parâmetro a milhões de chineses. O escritor chinês Sun Tzu, em seu livro A Arte da Guerra, ensina que devemos conhecer profundamente nosso adversário para vencermos a batalha. Com base nesse pensamento, creio que ainda devemos conhecer melhor os chineses, e mais do que isso, aprender com eles. A alternativa mais apropriada para competirmos comercialmente com a China, ou com qualquer outro país, é conhecer seus produtos e seus concorrentes, e conseguir agregar, em sua cadeia produtiva, insumos mais baratos que possibilitem concorrer em melhores condições. Algumas empresas brasileiras já estão se unindo às empresas chinesas para ampliar mercados e reduzir custos. São modalidades de parceira como uma Joint Venture, um acordo de colaboração, ou, até mesmo, uma simples importação de insumos. Seja qual for o sistema de cooperação, começa a valer e velha máxima: “Se não pode vencê-los, junte-se a eles”. PAULO HUMBERTO FERNANDES BIZERRA é advogado especialista em Direito Tributário e Direito Internacional, diretor da Bizerra & Advogados Associados e da Brazcommerce International Business, que mantêm escritórios de representação em Pequim e Xangai, na China

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