- Bom dia! O senhor estaria tendo um tempo para estar falando comigo?
- Não, no momento estou muito ocupado.
- Só um minuto, por favor. Estamos vendendo um produto a um preço incrível. Você pode estar dividindo em 10 pagamentos sem juros...E é possível estar ganhando um brinde...
- Já disse que agora não tenho tempo.
- Mas senhor, é uma oportunidade única... Essa promoção só é válida para hoje e estamos tendo apenas mais dez unidades do produto...
- Agora não!
- A que horas então posso estar te ligando? Nosso produto é ótimo, você não pode estar perdendo essa oportunidade... Sua esposa, sua sogra, seu filho ou alguém na sua casa pode estar falando comigo agora?
- pi-pi-pi-pi-pi-pi-pi (desliga o telefone na cara da operadora de telemarketing).
Quem nunca recebeu um telefonema de uma operadora de telemarketing que insere gerúndios em todas as suas frases, oferecendo produtos na hora em que você está mais ocupado, pronto para ir ao trabalho ou saindo de casa para um compromisso inadiável, que atire a primeira pedra. O Se Liga saiu a campo para conhecer melhor o dia-a-dia desses profissionais, que acabam funcionando como uma espécie de pára-raios para as reclamações de determinada empresa.
Ana Cláudia Teixeira da Silva, 19, trabalha há um ano na equipe de telemarketing de uma empresa que fornece empréstimos consignados para aposentados e funcionários públicos, e disse que já recebeu respostas mal-educadas de muitas pessoas. “Sempre tem aquele pessoal sem educação, que, ao oferecermos um produto, nos tratam de maneira curta e grossa, falam que estão cheios de problemas para resolver e até desligam o telefone na nossa cara”. Mas Ana Cláudia revela que, por outro lado, existem pessoas atenciosas e dispostas a conhecer o que o operador tem a oferecer. “Algumas pessoas nos atendem com toda paciência do mundo e, mesmo não comprando nada, são muito educados e conversam sempre com a gente”.
A atendente Márcia Rúbia de Souza trabalha em uma grande empresa de telefonia há três anos e já passou por situações, no mínimo, inusitadas durante este período. “Uma vez, recebi uma ligação e o cliente não esperou nem eu falar o nome da empresa e começou a xingar, falando absurdos e eu não tinha nem como argumentar.
Quando consegui pedir a ele que me informasse o número do telefone que apresentava problemas, vi que ele era cliente de outra operadora”, disse, entre risos. Após o “mico”, o cliente demonstrou total arrependimento. “Ele mandou e-mails e ligou para minha supervisora para se desculpar”, completou Rúbia.
PROFISSIONALIZE-SE
Com o crescimento de vendas, cobranças, serviços de atendimento ao consumidor e esclarecimento de dúvidas via telefone, o campo de telemarketing não pára de crescer na cidade. Para conseguir uma boa colocação no mercado, é essencial que se faça aulas em escolas especializadas.
Em Franca, não há curso de formação específica para operador de telemarketing. Nos cursos seqüenciais de Marketing e Vendas, da Unifip, o telemarketing é uma das disciplinas da grade curricular.
Para Cássia Antunes, coordenadora de telemarketing da Unifip, o mercado para a profissão está em plena expansão, o que aumenta a procura por profissionais. “Cadeias varejistas, bancos e muitas outras indústrias estão terceirizando o serviço de atendimento ao cliente”.
Na escola Unifip, o valor total do curso é de R$ 370, com matrícula e material didático inclusos, e as aulas são ministradas em um período de seis meses.
O salário de um operador de telemarketing varia entre R$ 400 e R$ 600 e o profissional pode trabalhar, no máximo, seis horas diárias, de acordo com a legislação trabalhista.
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