Viúvos morrem em seguida?


| Tempo de leitura: 2 min
Aquilo que para nós era uma curiosidade, um cônjuge morrer em seguida ao outro, parece ser fato e ter uma explicação científica. E o primeiro relato sobre isso apareceu em 1848. Esse conhecimento popular deve ser levado a sério e tratado como risco à vida de cônjuges. A pesquisa da Escola Médica de Harvard e da Universidade da Pensilvânia analisou uma amostra de mais de 500 mil casais de idosos por quase dez anos e descobriu que os companheiros de pessoas que ficam doentes aumentam o próprio risco de morrer do que aqueles que não tem cônjuge doente. A pesquisa iniciou-se em 1993, abrangeu idosos entre 65 e 98 anos. No período da pesquisa, 74% dos maridos e 67% das esposas foram hospitalizados ao menos uma vez e 49% dos homens e 30% das mulheres morreram. Os homens ficam 4,5% mais propensos a morrer após as esposas serem hospitalizadas. Já as mulheres ficam quase 3% a mais. Os homens sofrem mais que as esposas. Se o cônjuge morre, o risco de morte sobe para 21% para os homens e 17% para as mulheres. As mortes podem ser de acidentes, suicídio, infecções ou condições preexistentes como diabetes. O risco de morte dos companheiros é especialmente alto nos seis meses que se seguem à hospitalização por algum problema grave. A hospitalização do cônjuge por ataque cardíaco, pneumonia, fratura dos quadris, para os homens de 10 a 35% e de 10 a 23% para as mulheres dos doentes. Já a hospitalização por demência ou problemas psiquiátricos, o risco de morte fica ainda pior, de 47 a 58% para o cônjuge masculino e de 38 a 77% para a esposa. Os primeiros 30 dias após a morte do cônjuge são os piores. O risco do marido morrer nesses dias sofre um aumento de 53% enquanto que para a mulher, o risco sofre um acréscimo de 61%. Analisando raça, renda e idade, os pesquisadores descobriram que o risco das mulheres aumentam com a idade e pobreza enquanto que o dos homens que tiveram esposas internadas somente a idade aumenta o risco. Apesar do risco do cônjuge sobrevivente morrer não ser facilmente comparável quando se observa o gênero, feminino ou masculino, pois os homens morrem mais cedo que as mulheres, pode-se observar que os homens são mais vulneráveis. Isso está de acordo com outra pesquisa, que já relatei no passado, que mostrou que o casamento é mais benéfico para os homens. E, apesar do estudo abranger apenas casais, as conclusões podem ser estendidas para todos os relacionamentos afetivos. Os pesquisadores afirmam que esse estudo deve servir de alerta e guia para médicos, políticos, trabalhadores de serviço social e para as famílias de idosos e idosas. Inúmeras vidas poderão ser salvas, agora, certamente, depende de você, é sua também a responsabilidade de muitas vidas. MÁRIO EUGÊNIO SATURNO é pesquisador tecnologista sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), professor do Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva e congregado mariano

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários