Culturas regionais


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Um dos pontos mais interessantes do programa nacional de biodiesel é a diversidade de culturas regionais que permitirá produzir o combustível. De cara o País sai na frente - assim como no etanol do álcool -, não só pelos estudos sobre as diversas oleaginosas, como pelo fato de já dispor de mini-refinarias adaptadas às diversas espécies de plantas. No momento, e Embrapa trabalha com seis tipos de matérias-primas, e uma grande promessa. As matérias-primas são a mamona, a soja, palmáceas, girassol, amendoim e algodão. A promessa é o pi-nhão manso, especial para recuperar terras degradadas, e também a macaúba. Pelas avaliações da Embrapa, o primeiro ciclo será dominado pela soja e pela mamona. A partir de 2013 o dendê passará a ter expressão maior. Apesar de ser aposta de algumas grandes empresas, a Embrapa não coloca suas fichas no girassol. A aposta no dendê dependerá da decisão do governo de começar a investir no seu desenvolvimento tecnológico. Nas análises comparativas, a Embrapa prevê um rendimento médio da soja de 375 a 600 quilos de óleo por hectare (kg/ha), dependendo do teor de óleo da planta. Na mamona, é de 350 a 1.188 kg/ha. No dendê, essa produção salta para 2.000 a 5.000 kg/ha. No girassol, de 630 a 725 kg/ha. Esperança do futuro, o pinhão mansão pode produzir de 1.340 a 3.200 kg/ha. A Brasil Ecodiesel analisou as mesmas culturas e constatou que, na média, a soja rende 450 kg/ha, o girassol 550, a mamona 450 e o pinhão manso 700. No curto prazo, a maior fonte de insumos será a soja, que responderá por 80% da produção de biodiesel, ou 1 bilhão de litros em 2008. Ela permitirá o tiro de partida. A médio prazo, o Plano Nacional de Biocombustíveis prevê a combinação de agricultura, biomassa energética, florestas (fibras, celulose e papel), integrando agricultura, pecuária e manejo florestal. Ponto central do projeto é a disponibilização de sementes para plantio. Hoje em dia, a mamona tem sementes suficientes para atender a 150 mil hectares; o feijão caupi (que será plantado de forma consorciada com a mamona) para atender a 150 mil ha; o dendê, para 3 milhões de sementes/ano ou 21 mil ha e a soja para atender a 10 milhões de ha. Pelos números se percebe a razão da soja ser o ponto de partida. É nesse universo que ocorrerá a coordenação tecnológica das pesquisas no País. Até agora não existe um sistema montado. A Embrapa criou a Embrapa Energética, juntando nela as pesquisas li-gadas ao biocombustível. Provavelmente caberá a essa divisão a coordenação das diversas pesquisas em torno do tema. Serão montadas inicialmente cinco redes de pesquisa: 1. Álcool combustível, pesquisando etanol de cana, de grãos, de tubérculos, celulósico, metanol de biomassa e co-geração de energia. 2. Biodiesel, juntando as pesquisas sobre oleaginosas nas regiões norte, nordeste e centro-sul. 3. Biogás, com pesquisas sobre biodigestores, resíduos de suínos e aves, vinhaça e geração de energia elétrica. 4. Florestas energéticas, pesquisando a biomassa vegetal, carvão ve-getal, geração de energia elétrica e crédito de carbono. 5. Resíduos agrícolas e florestais, juntando setor sucro-alcooleiro, resíduos de madeira, setor de arroz e resíduos e lixos. Embrapa O modelo de atuação da Embrapa será criar uma EPE (Empresa de Propósito Específico) para montar parcerias com o setor privado visando pesquisas e resultados objetivos. Essas EPEs desburocratizariam a pesquisa, permitiriam a empresas privadas bancar projetos específicos e ter direitos aos resultados do desenvolvimento proposto. As empresas poderia entrar com capital de risco e, depois, compartilhas as patentes. Petróleo e risco Petróleo sempre foi atividade de risco, especialmente político. Por isso não surpreendeu as declarações do gerente-geral do Brasil da companhia petrolífera francesa Total, que mantém o interesse na Bolívia, e considera as operações "rentáveis". Segundo Patrick Pluen, a Total também toparia participar de uma eventual licitação para aumentar a capacidade de transporte do gás boliviano ao Brasil. Alpargatas A compra da argentina Alpargatas pela Camargo Correa não se tratou de amor à primeira vista. Desde os anos 70, o velho Sebastião Camargo já era um forte acionista da Alpargatas. Ontem, a Camargo Correa informou que adquiriu 31,45% das ações da companhia de um grupo de investidores. BC muda o estilo Ao menos uma pequena mudança ocorreu com a entrada do novo diretor do Banco Central, Mario Gomes Torós. Em vez da posição dos teóricos, que defendiam a previsibilidade das ações do BC - a melhor maneira tornar o ganho especulativo sem risco-, este deixou de anunciar a hora e o valor dos leilões de compra de dólares. Mesmo assim, o dólar recuperou um pouco mas continuou caindo. lei do saneamento Saudada como o fim do "apagão do saneamento", a nova lei do saneamento deixou de fora um dos objetivos principais de uma política para a área: a universalização dos serviços. Pelo modelo, o filé mignon do mercado (municípios rentáveis) poderão privatizar seus serviços. Os pequenos municípios terão que se unir em consórcios. Como são pequenos, não haverá como as cidades mais ricas - e mais rentáveis - subsidiarem as mais pobres.

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