Um giro pelo mundo


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Dominar mais de um idioma, conhecer outro país, ter contato com culturas diferentes e ainda ganhar um dinheirinho extra. Assim muitos jovens fazem todos os anos durante o período de férias escolares ao ingressarem em um intercâmbio cultural. Vindos de diversas partes do País, eles optam por se preparar para o mercado de trabalho estudando, em média, de 4 a 32 semanas em diversos países do exterior. Entre os destinos mais procurados estão cidades dos EUA, Canadá, Austrália, Espanha, Itália, Inglaterra e França. Só no ano passado, mais de 70 mil brasileiros deixaram o País em programas de intercâmbio cultural. Segundo uma pesquisa realizada no início do ano pela Association of Language Travel Organizations, maior entidade de empresas de intercâmbio do mundo, a procura pelos estudantes cresceu 30% no Brasil, colocando o País no quarto lugar no ranking dos que mais exportaram estudantes, ficando atrás apenas de Japão, Espanha e Alemanha. Em Franca, a procura não é diferente. Para o proprietário da agência de turismo Flow Intercâmbios, Vinícius Conrado, 37, a grande demanda pelos estudantes cresceu em mais de 50% nos últimos dois anos. “Na semana passada, embarcou uma turma de 12 pessoas para Washington; já no mês que vem, em maio, serão 25 estudantes que irão ficar três meses em Baltimore nos EUA e só no ano passado foram mais de cem pessoas”, afirma. O jovem, ao escolher um intercâmbio, deve atentar a todos os detalhes para não embarcar em uma “furada”. Afinal, uma escolha errada pode acarretar problemas que vão desde o dia de embarque até golpes de vagas inexistentes em cursos ou serviços. Atualmente em Franca, diversas agências de viagens oferecem intercâmbios. Os pacotes variam de acordo com o destino escolhido, o tempo de permanência em cada país e a opção de apenas estudar ou trabalhar e estudar. Em função da queda do dólar, o custo de um intercâmbio está cada vez mais acessível aos francanos. Um programa de quatro semanas em escola de Londres, pela Quanta Turismo por exemplo, com passagem, hospedagem e curso de inglês incluídos, fica em US$ 1.900. Já para aqueles que pretendem ficar mais tempo, com aulas durante 32 semanas em período integral, nos EUA, fica em média US$ 7.552, também com todos os gastos inclusos, através da agência Nena Viagens. Dentre as quatro agências pesquisadas pelo Comércio, os pacotes variaram de US$ 800 a US$ 7.552 dólares. EXPERIÊNCIA E MUITA CULTURA Cheia de notícias para contar e com muitas saudades da família, a estudante Isadora Barbosa Souza, 20, voltou há duas semanas de um intercâmbio cultural nos Estados Unidos. Ela embarcou no início de dezembro e ficou por lá durante quatro meses estudando, onde pôde aperfeiçoar o seu inglês, que já dominava há três anos. “Voltei de lá mais amadurecida e dando mais valor à vida”, conta a estudante. Na hora da escolha por um intercâmbio, pensou na bagagem cultural e na experiência em outro país como enriquecimento em sua carreira. “Pensei sempre nos planos para minha carreira no futuro, pois hoje em dia apenas um diploma na mão não dá muitos resultados”, afirma ela, que atualmente cursa duas faculdades: Relações Internacionais e Direito. Durante sua temporada internacional, a estudante gastou por volta de US$ 3.000 dólares, já que ficou na casa de uma amiga e não gastou com hospedagem. Nas férias de julho, Isadora pretende fazer mais uma viagem, mas ainda não decidiu para onde. “Fiz muitas amizades por lá. Conheci pessoas de diversos países, como Chile e Argentina, e muitos me convidaram para conhecer os seus países. Então, ainda estou vendo para onde vai ser o meu intercâmbio desta vez”. Além do intercâmbio cultural, muitos jovens optam por procurar um emprego no exterior. Assim aconteceu com a gerente de marketing Inaê Orsini, 27, que além de aprimorar seu inglês, trabalhou por três anos em Londres. “Me adaptei ao local e fui arranjando empregos atrás de empregos e resolvi juntar um dinheiro durante este tempo”, conta Inaê, que voltou de lá mais amadurecida e recomenda a experiência. “Foi muito bom e acho que o intercâmbio muda a vida da gente, faz-nos dar mais valores a quem nos cerca e, principalmente, faz a gente voltar com uma bagagem melhor para o mercado de trabalho”, conclui.

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