No Jd. Aeroporto, quem quer consulta madruga na fila


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Depois de esperar quase duas horas na fila, ontem, moradores do Aeroporto III entraram na UBS na esperança de conseguir atendimento
Depois de esperar quase duas horas na fila, ontem, moradores do Aeroporto III entraram na UBS na esperança de conseguir atendimento
5h10 da manhã. O sol ainda demora a aparecer, mas a dona de casa Filomena Silva, 51, já está na rua. Ou melhor, na fila. Como ela, todos os moradores do complexo formado pelos bairros Jardins Aeroporto, Aviação e Santa Bárbara que precisam de atendimento médico na UBS (Unidade Básica de Saúde) do Aeroporto III têm que enfrentar o martírio das filas de marcação de consultas que começam a se formar todos os dias ainda de madrugada. O sacrifício nem sempre adianta. Com dores no corpo, Filomena chegou às 5h10, mas na sua frente já havia sete pessoas. Não conseguiu sequer agendar a consulta. Essa não foi a primeira vez. "Na sexta-feira passada, cheguei às 5h30 e não consegui marcar. Tinha muita gente na fila e hoje (ontem) que cheguei mais cedo também não adiantou nada". Não tem jeito, apesar da frustração, a dona de casa vai ter que enfrentar fila pela terceira vez. "Amanhã (hoje) vou voltar, só que dessa vez chego às 4 horas". O desempregado Carlos Rodrigues, 47, chegou às 4 horas para tentar agendar clínico geral para uma cunhada doente. Tempo perdido. A única coisa que ele conseguiu depois de ser o primeiro da fila e passar três horas ao relento foi descobrir que o agendamento de consultas para clínico-geral na unidade só acontece uma vez por semana, às terças-feiras. Vai ter que voltar hoje. David Pereira, 20, que trabalha como pespontador, teve mais sorte. Ele conseguiu marcar ginecologista para a mulher para as 7h30 de ontem. Mas, para isso, madrugou. Às 4h20, já estava na porta da UBS. Foi o segundo da fila. "É muito difícil ter que ficar na fila esse tempo todo", lamenta. Eram 6h50 quando ele deixou a unidade para correr até em casa para buscar a mulher para ser atendida por volta das 7h30. Com o filho pequeno ardendo em febre, a sapateira, Cláudia Aparecida Batista, 32, que chegou às 5h15, reclamava. "Quando cheguei levei um susto já tinha seis pessoas na minha frente. Aqui quem acorda tarde não consegue nada. É muito sofrido". Segundo todos os entrevistados que estavam na fila da UBS do Jardim Aeroporto III, que, às 6 horas, já contava com mais de 25 pessoas, a cena se repete todos os dias na unidade.

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