Não. Absolutamente, não! Tanto que há muitos médiuns que não são espíritas! De quantos relatos não tomamos conhecimento e onde as pessoas dizem ver e ouvir espíritos, sem serem espíritas ?
A revista `Veja` publicou recentemente pesquisa onde se evidencia que 62% da população brasileira aceita a intervenção dos espíritos. Ora, 62% da população não são espíritas. Então, por que, sempre que se fala de mediunidade (ou fenômeno mediúnico) pensa-se em espiritismo? Acreditamos que seja por duas razões: desconhecimento sobre o que é o espiritismo ou, outros interesses.
No primeiro caso, o desconhecimento, os livros espíritas - principalmente os da chamada "Coodificação Kardeciana" - estão aí para dirimir as dúvidas. Estes livros nos informam que a mediunidade é uma faculdade que é inerente ao ser humano, existindo, portanto, desde que o homem está na Terra. É um outro sentido, além dos cinco conhecidos e que nos permite entrar em contato com o mundo espiritual, independentemente de cor, raça, sexo, religião, credo político ou filosofia existencial, existindo muito antes que o espiritismo fosse codificado pelo professor Hipolyte Leon Denizard Rivail, o nosso querido Allan Kardec. Mediunidade, portanto, é um sentido do ser humano.
O espiritismo veio esclarecer a mediunidade, explicar as leis que governam o fenômeno, as condições em que ele se realiza, quais as suas finalidades. Por isso, podemos fazer uma distinção muito nítida entre fenômeno mediúnico e fenômeno espírita.
O fenômeno mediúnico, como já afirmamos, ocorre independentemente da vontade do médium, que já nasce com a faculdade mediúnica. Independe, ainda, da aceitação ou não do médium. Aí estão os pajés, os xamans, os videntes, os profetas, etc., que confirmam esta assertiva. Diga-se de passagem, a palavra médium veio do Latim e quer dizer: intermediário, estar no meio. Quanto ao fenômeno espírita podemos dizer que ele é um fenômeno mediúnico com conseqüências morais, isto é, visa, sobretudo, à melhoria moral do médium e daqueles que o procuram.
Dessa forma, nos Centros Espíritas onde se pratica a mediunidade sob a orientação da Doutrina Espírita, mormente sob o contido em `O Livro dos Médiuns`, não há cobrança de dinheiro por qualquer atividade. Não se preocupa o médium em adivinhar o futuro ou modificá-lo por qualquer ato exterior. Não se faz - sob nenhuma hipótese - atividade para prejudicar quem quer que seja. Também não se dedica, o médium espírita, a resolver problemas de ordem emocional, de saúde ou de relacionamento entre casais. Não cuida de problemas financeiros, nem de “arrumar” emprego para pessoas. A principal preocupação do médium orientado pela filosofia espírita é a de servir - desinteressadamente - ao seu semelhante, consolando e orientando para a melhoria moral de cada um, pois, a nossa conduta moral equivocada é que provoca a maioria dos nossos males.
Mas, como é que há muita gente que se diz espírita e que se propõe a fazer o que contraria o espiritismo ? Bom, aí é questão de livre-arbítrio de cada um. Mas que é espiritismo não é!
FELIPE SALOMÃO é bacharel em Ciências Sociais e membro da diretoria do Instituto de Divulgação Espírita de Franca (IDEFRAN)
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