Resposta ao senhor ministro


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O senhor Miguel Jorge, novo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior nem bem sentou-se na mais importante cadeira do quadro ministerial e já deu uma lamentável demonstração de falta de sensibilidade para com o setor produtivo do País. Em declaração de 10 de abril, o ministro foi incisivo: "Não defendo empresário incompetente". Senhor ministro: a realidade tem mostrado que os empresários da indústria, do agronegócio, do comércio e dos demais serviços têm dado inequívocas demonstrações de competência, descobrindo novos caminhos para seus produtos, usando todo tipo de criatividade num campo competitivo árido, onde se supunha que nada mais poderia ser mudado. Contrariando o que foi afirmado, têm continuado, persistentemente, a desempenhar seu papel de legítimos condutores do progresso, buscando sobreviver e dar sobrevivência a milhares de trabalhadores, por meio da manutenção de seus empregos. Estamos nos referindo à convivência empresarial com um sistema tributário complexo e penalizador dos investimentos e das exportações; com a necessidade de operar com custos portuários excessivos, com a necessidade de manter quadros adicionais de pessoal dedicados para a interpretação das inúmeras leis, decretos e normas editados diariamente pelas áreas federal, estadual e municipal, com uma reduzida disponibilidade de crédito no sistema financeiro, com uma taxa de juro estratosférica e com o real apreciado. Senhor ministro: as empresas competem em desigualdade de condições com seus concorrentes internacionais, já que os preços são inflados pelos tributos e pelas deficiências impostas pelo Governo. Nesse grupo, estão incluídos todos os grandes, pequenos, médios e microempresários, que atuam diferentemente, de acordo com suas realidades e potencialidades. Como forma de exercer uma pressão legítima e clara, o "choro dos empresários" é o último recurso daqueles que buscam uma ajuda, por pequena que seja, para diminuir a distância que os separa de seus concorrentes internacionais. Apesar do baixo crescimento da economia nos últimos anos, o Governo Lula tem ficado, até o momento, mais no plano da retórica do que da ação, senhor ministro. Faltam decisões concretas para devolver o poder de competição aos nossos empresários, e a atuação do Estado nesse sentido é fundamental. O sucesso de qualquer plano ou política industrial de Governo depende, sobretudo, da credibilidade e da confiança que possa ser transmitida ao setor privado, que, em parceria, colocará sua capacidade e sua criatividade no desenvolvimento de uma sólida base produtiva. Acreditamos que, a partir deste momento em que os ministérios se renovam, passa a ser vital a importância o esforço para a integração do Governo com o setor privado. Finalizando, gostaríamos que o importante Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior avaliasse e interpretasse os anseios dos empresários, todos eles, grandes, médios, pequenos ou micros, com a mesma importância, para que coesos possamos enfrentar os desafios requeridos pelo desenvolvimento interno e pela integração internacional. WAYNER MACHADO DA SILVA é presidente do Sindicato das Indústrias de Curtimento de Peles e Couros no Estado de São Paulo - Sindicouro e Coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva do Couro e do Calçado - Comcouro, da Fiesp.

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