Quero pedir licença, neste canto, para comentar as discussões que estão em tela a respeito do curso de Relações Internacionais, que é ministrado pela Unesp local. Fui professor e diretor da antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras e, depois, docente e vice-diretor da Unesp, mas há anos aposentado.
E guardo lembranças terríveis da organização da instituição, quando o Conselho Estadual de Educação, em decisão facciosa, nos retirou os cursos de Letras, Pedagogia e Geografia, transferindo os dois primeiros para Araraquara e o último para Rio Claro, se não me engano.
O Comércio da Franca debateu em sua edição do dia 10 a discussão que parece vir a transformar-se em problema: RI continuará aqui, enriquecendo a Unesp local, ou deverá ir para São Paulo? Câmara Municipal, professores e estudantes têm se manifestado. E, para amenizar a provável perda de RI, fala-se na volta de Pedagogia.
Franca perdeu três cursos, por que agora se está aludindo apenas a Pedagogia, esquecendo-se de que Letras e, porque não Geografia, devem também voltar à Unesp de Franca?
A defesa da mudança de RI para São Paulo, no Comércio, em sua edição do dia 10, é feita pelo Prof. Alexandre Ratner Rochman, coordenador do Conselho de curso de graduação em Relações Internacionais da Unesp desta cidade. Sua Senhoria se desdobra na alegação de vantagens que RI conseguiria na capital, pondo em relevo a quantidade de empresas para estágio de alunos e oferta de empregos, bem como possibilidade de pesquisas em graduação e pós-graduação. Compreende-se que o Dr. Alexandre prefira São Paulo a Franca, pois lá formou seu ambiente cultural. Sendo coordenador de um curso tão importante, ter-se-ia esforçado para obter estágios de alunos nas empresas francanas que se dedicam à exportação? Aliás, na coluna “Objetiva”, na página A-3, sob o título “O que é preciso mudar”, o redator analisa a discussão e sublinha a falta de medidas a serem tomadas: “Criação de câmaras internacionais de comércio, oferecer serviços de orientação para capacitar e assessorar os empresários no setor calçadista para triunfar no mercado externo”.
Quando foi criado o curso de Relações Internacionais, a Unesp fez estudos adequados para a sua montagem, ouvindo certamente especialistas. O curso tem tido boa aceitação, já está se preparando para o sexto ano. Só a continuidade das aulas, o exame das condições do ensino e a valoração de trabalhos do alunado em projetos previstos para a cidade ou para outros centros importantes poderão permitir uma visão justa da excelência dos trabalhos curriculares.
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