Sol, calor, feriado prolongado. Nada melhor do que se refrescar nas “prainhas” da região. Rifaina, Miguelópolis, Ibiraci, Delfinópolis são alguns dos destinos preferidos de banhistas que nos fins de semana chegam a atrair mais de dois mil visitantes.
A quase 600 quilômetros do litoral paulista, as represas da região se tornam a única opção de “praia” para quem mora tão longe do mar. Mas que garantias tem quem vai se divertir? Se depender de um salva-vida, nenhuma. Os banhistas que se aventuram nos rios da região precisam estar cientes dos perigos que correm ao entrar na água sem saber nadar. Nesses lagos, o que vale é a lei do "cada um por si".
No ano passado, duas pessoas morreram afogadas em rios da região. Neste ano, só no feriado de Páscoa, foram dois afogamentos. O motorista francano Amaury Henrique de Souza, 41, morreu na barragem de Peixoto no município de Ibiraci (MG) e o estudante Felipe Carlos da Cunha, 14, de Uberaba (MG), se afogou na prainha "Airton Senna", de Miguelópolis. Na mesma represa, outro jovem, Juliano Junio de Oliveira, 17, morreu, em dezembro do ano passado, enquanto brincava com os amigos de dar cambalhota para pular na água.
O quesito falta de segurança é real na prainha de Miguelópolis, formada pelas águas do Rio Grande. O superintendente de Esporte e Turismo, Edson Luís Queirós Lima, disse que a prefeitura faz um trabalho de conscientização com os banhistas. Além disso, mantém um salva-vidas em feriados prolongados. O problema é que são 600 metros de prainha para apenas uma pessoa vigiar. "Ele fica dentro de um barco percorrendo toda a represa". Para Lima, é o suficiente. "No ano passado apenas uma pessoa morreu aqui (lembrando o caso de Juliano). Foi uma fatalidade". Lá, se um banhista precisar ser levado às pressas para o hospital, o mais próximo fica a três quilômetros.
Outra represa muito freqüentada é a Jaguara, em Rifaina. Em feriados prolongados, mais de duas mil pessoas passam pelo local e aproximadamente 500 aos fins de semana normais. Para dar conta de tanta gente, a prefeitura mantém dois salva-vidas nos fins de semana e quatro em feriados. Eles tomam conta de 300 metros de praia. "A presença deles na prainha tem ajudado a fazer um trabalho preventivo com os banhistas", disse Jairo Sérgio de Souza, 30, fiscal da praia e monitor dos salva-vidas. Ele se orgulha em dizer que, há dois anos, não se registram afogamentos em Rifaina. “No ano passado, efetuamos dez salvamentos, e felizmente ninguém morreu”.
Mesmo sendo presença constante na prainha, os salva-vidas ainda não foram avistados por muitos turistas. “Tem salva-vida aqui? Sou freqüentadora assídua da represa e nunca vi nenhum”, disse a banhista Luci Penteado Santana, 40, que trabalha em um chaveiro em Franca. Preocupada, Luci não tira o olho do filho Leonardo de 10 anos. "Ele só entra na água de colete e só deixo nadar próximo à margem", diz enquanto o menino tenta se divertir sob os olhos da mãe.
EM MINAS
A falta de segurança nas represas mineiras é ainda pior. Se o local escolhido para momentos de lazer for a região do Itambé ou Peixoto, ambos no município de Ibiraci, ou em Delfinópolis (MG), o banhista deve estar ciente de que não há salva-vidas naquela região. O Corpo de Bombeiros mais próximo fica a aproximadamente 80 quilômetros, na cidade de Passos (MG). Nos primeiros quatro meses deste ano, foram registradas duas mortes, sendo uma em fevereiro e outra no feriado da Páscoa. "A região do Itambé e Peixoto é área de segurança da Usina de Furnas. E até onde eu sei, a prefeitura não tem obrigação de manter pessoas nessas represas para ajudar em salvamentos", disse o prefeito de Ibiraci, Ismael Silva Cândido (PT). Cuidado.
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