Biodiesel e inclusão social


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Um dos grandes desafios do Programa do Biodiesel é a viabilidade econômica, financeira e operacional da inclusão da agricultura familiar na produção. A maior experiência até agora tem sido a da Brasil Ecodiesel, firmaa que abriu capital e acumulou boa experiência com esse público. Sua estratégia foi apresentada por seu presidente Nelson José Cortes da Silveira no 40º Seminário do Projeto Brasil. O primeiro grande projeto da Ecodiesel foi no Piauí, para servir de aprendizado. Há diferenças fundamentais entre a agricultura familiar do Nordeste e do Sul. Para baixo há terras, clima e organização social. No Nordeste a agricultura familiar controla 50% das terras, porque são terras sem atividade econômica agrícola intensiva. No Sul a agricultura familiar é dividida em cooperativas mistas. Quando se senta com um dirigente sindical, ele já conhece a linguagem do negócio. No Nordeste, o grau de desorganização é muito grande. Apenas na Bahia se percebe o início da grande transição entre o mundo mais organizado do centro-sul e o do Nordeste. O maior desafio é organizar a agricultura familiar, sair do relacionamento corpo a corpo para trabalhar com entidades organizadas. Além disso, a lógica da pequena propriedade nordestina é cruel. O indivíduo recebe 10 hectares de terra, ocupa os dois primeiros, cortando as árvores e plantando milho, feijão ou outra cultura de subsistência. Depois de colhido o milho, solta o gado, que come a forragem (cobertura vegetal), pisoteia o solo, que é ralo. No segundo ano aquela área virou areal. O agricultor vai então para os dois hectares ao lado. Em cinco anos completa-se o processo de desertificação e ele fica tentando sobreviver daquilo. Com biodiesel da mamona, recorre-se a uma planta rústica, com tecnologia simples, que produz de 400 a 500 quilos/hectare sem nenhum investimento adicional. A Ecodiesel orienta os agricultores a plantar mamona consorciada com feijão e eucalipto. Como a mamona tem raízes profundas, ajuda a descompactar a terra para plantio consorciado. Depois de dois anos, a mamona vai para o lote seguinte e abre espaço para novas culturas nos lotes recuperados. Em dez anos, a propriedade estará recuperada, permitindo produzir culturas de maior produtividade. A vantagem da mamona é permitir fazer o programa da noite para o dia. A partir dela, pode-se pensar em culturas de maior produtividade, mas sempre com a mamona como cultura de rotatividade por ser a de menor risco. A idéia é em quatro anos trazer o pinhão manso como alternativa à soja, para plantar nos dois hectares que foram recuperados, associados ao feijão e eucalipto. * * * A Ecodiesel estima em dois a três anos o período de apoio à agricultura familiar. Depois disso, espera que o setor esteja suficientemente organizado para se unir em cooperativas, com auto-gestão dos negócios, para poder se relacionar como entidade econômica com menor dependência. No caso do Piauí, a Ecodiesel organizou dois modelos. O primeiro, um assentamento privado, com 650 famílias e 4 mil pessoas, recebendo todos os serviços sociais. A rotatividade anual é de apenas 2,5%. O segundo, acordos de compra de 57 mil agricultores familiares. ASSENTAMENTO No projeto de assentamento das 600 famílias, a Ecodiesel encontrou dificuldade na seleção das famílias. Reforma agrária é para quem é agricultor. Mas os assentamentos tornam-se atrativos para populações urbanizadas, que mofam nas periferias da cidade, sonham com a volta ao campo, mas se deseducaram para o trabalho agrícola. Foi necessário um processo de reeducação para prepará-los para a lide campestre. DESIGUALDADE 1 O livro Desigualdade de Renda no Brasil: uma análise da queda recente, do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), traz conclusões significativas. A queda recente da desigualdade foi mais acelerada que o crescimento na desigualdade observado na década de 60, que foi violento. O desempenho dos últimos anos coloca o Brasil entre os países com maior capacidade de reduzir a desigualdade na última década. DESIGUALDADE 2 Há um enigma nos trabalhos sobre desigualdade. Nos últimos dez anos ocorreu um forte achatamento dos rendimentos da classe média, em função da estagnação da economia. Assim, a queda de desigualdade não refletiria apenas a melhoria de renda dos extratos inferiores da sociedade, mas do rebaixamento dos extratos médios. É uma tese a ser pesquisada para se ter uma idéia para onde o País caminha. DESIGUALDADE 3 Mesmo levando em conta esses fatores, houve redução nos indicadores de pobreza absoluta, mostrando que, mesmo sem crescimento econômico, é possível combater efetivamente a pobreza. Entre 2001 e 2005, o Brasil conseguiu reduzir a pobreza numa velocidade quatro vezes maior que a necessária para alcançar a Primeira meta de desenvolvimento do milênio. CÂMBIO O governo está fechando pactos setoriais para reduzir a grita contra o câmbio. Prometeu desoneração da folha de pagamento para os setores calçadistas e têxteis, e devolução do crédito-prêmio do ICMS para as montadoras. De gambiarra em gambiarra vai se tapando o sol com a peneira, enquanto o dólar prepara-se para romper a marca dos R$ 2,00 e caminhar rumo aos R$ 1,80.

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