Calçadistas se reúnem no Itambé para fazer carta a Lula


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O maior encontro entre lideranças calçadistas já realizado na história acontecerá entre hoje e amanhã em Ibiraci (MG), na região de ranchos conhecida como Itambé. Dirigentes de 30 sindicatos patronais e de entidades de classe se reunirão no rancho da família Jacometti para discutir os problemas comuns e elaborar uma pauta de reivindicações que será destinada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Revisão da política cambial e criação de condições favoráveis para os fabricantes deverão ser as principais cobranças. Para se ter noção do alcance do evento, 6,4 mil fábricas (80% do total do País) estarão representadas na reunião por suas respectivas lideranças. A iniciativa de promover o encontro foi da Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados). A idéia amadureceu após a marcação de uma audiência com o novo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Miguel Jorge, para a próxima sexta-feira, em São Paulo. "Discutiremos sobre nossas dificuldades e quais os encaminhamentos conjuntos que daremos ao ministro para que, posteriormente, cheguem ao presidente da República", disse o diretor-executivo da entidade, Heitor Klein. Segundo ele, é necessário que o governo desperte para a importância que o setor calçadista tem no contexto nacional e auxilie, com medidas pontuais, para que as capacidades produtivas e de geração de empregos não continuem caindo. "Temos de falar para ele o que é a indústria de calçados, qual o extraordinário potencial que temos e aproveitar para reclamar e cobrar do governo medidas necessárias para que o setor continue forte", disse. Klein disse que considera praticamente impossível que o Governo Federal altere a política cambial, por isso, desta vez, as reivindicações deverão incidir sobre os tributos recolhidos pelos industriais, considerados, por ele, como "absurdos". "A valorização do real frente ao dólar faz parte da macro-política econômica do governo. Dificilmente vão mudar esse cenário. Então, vamos lutar para uma diminuição nas excessivas cargas tributárias e nos pesados encargos trabalhistas", disse o executivo. O presidente da Francal, Abdalla Jamil Abdalla, que também participa do encontro, classificou como fundamental essa mobilização de todos os pólos calçadistas para que se consiga pressionar as autoridades políticas a melhorar, de alguma forma, as condições para o setor. "É uma iniciativa ímpar. A maior mobilização realizada até hoje. A união faz a força e o presidente precisa sentir tudo o que está acontecendo, essa queda nas exportações, a taxa cambial que está aniquilando os calçadistas", disse. Dirigente da Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), o empresário Saulo Pucci Bueno, que ficou responsável por receber os dirigentes sindicais e encaminhá-los para o local do encontro, não poupou elogios para a iniciativa da Abicalçados. "Não adianta ficar apenas lamentando, dizendo que está tudo ruim. Somente as ações bem elaboradas como essa têm chance de obter sucesso e eu, particularmente, acredito que os resultados efetivos da reunião em breve poderão ser sentidos por todos", disse.

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