Troca de papéis


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Quando são eles que invadem o universo feminino em busca de trabalho
Quando são eles que invadem o universo feminino em busca de trabalho
Acorda 5h20, chega no trabalho às 6h30, pega seu uniforme, a luva e começa o trabalho. Arruma o jardim, lava a garagem e parte para o interior da casa. Tira o pó, passa pano e termina limpando o banheiro. Não, não é uma mulher. Essa é a rotina de José Nildo de Jesus, 47, de segunda a sexta-feira. Ele é um empregado doméstico. Ainda são poucos os que se aventuram pelos territórios de uma das profissões mais feminina de todas. De um universo de 5 mil trabalhadores de Franca, apenas 45 empregados domésticos são homens. Os números, porém, vêm crescendo. "Tenho muito orgulho do que faço. O que importa não é a profissão em que se trabalha e sim, ter dignidade e respeito por ela", disse. José trabalha também como encanador, jardineiro, faxineiro e pedreiro há quase 20 anos. "Há 18 anos comecei a trabalhar como jardineiro numa casa e por gostar de aprender, hoje até lavo os banheiros, tiro o pó, tudo isso com muito gosto", completa. Quem fica feliz com essa atitude é sua mulher. "Ele limpa a cozinha bem melhor que eu". Sua mulher, a presidente do Sindicato dos Empregados Domésticos de Franca, Rosa Maria Mota de Jesu afirma que “Hoje está cada vez mais comum”. Já Ronaldo Valdeci Veronez trabalha com o que classifica como "designer de unhas" em um salão de beleza. Caso único em Franca, ele é o responsável por passar esmalte nas mãos de mulheres no salão de beleza de sua mulher. "Fico no meio de mulheres o dia todo, cuido da beleza delas. Para mim isso é perfeito". Outras profissões dominadas pelas mulheres também registram o mesmo fenômeno. No sindicato dos empregados em estabelecimentos de saúde, por exemplo, a presença de homens já chega aos 10% dos 800 associados. O enfermeiro Marcos Bruno Silva, 44, técnico em enfermagem do Hospital Unimed, é um deles. Para ele, a atuação dos homens no ramo é positiva. "É um trabalho de integração, pois as mulheres entram com a delicadeza e, quando é preciso força, entra o nosso trabalho". Mesmo com a mudança, porém, o preconceito existe. "Acredito que isso aconteça devido aos amigos, que muitas vezes afirmam coisas sem saber da profissão", disse Eurípedes Dias, faxineiro do Hospital Unimed. Outra área que começa a ser desbravada pelos homens é a Assistecia Social, que tem o ex-prefeito Gilmar Dominicci (PT) entre suas fileiras. Márcio Nalini, que desde 1983 exerce o cargo em Franca, afirma não ter arrependimento pela escolha. "Todos os dias tenho a chance de dar auxílio ao próximo, e é uma alegria grande ajudar", disse. Quando foi se formar, ele era o único homem da sala. "Mas nunca me importei com isso e amo o que eu faço".

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