Com queda de 60% nas doações, Proreavi pode fechar


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Edson Donizeti de Assis ao lado de milho colhido pelos próprios internos da Proreavi; para ele, se entidade fechar as portas, seus planos futuros podem ser prejudicados
Edson Donizeti de Assis ao lado de milho colhido pelos próprios internos da Proreavi; para ele, se entidade fechar as portas, seus planos futuros podem ser prejudicados
O lavrador Edson Donizeti de Assis, de 32 anos, tem em um sítio toda a esperança de sua vida. Edinho, como é conhecido, largou a família e começou a mendigar nas ruas da cidade por mais ou menos um ano. Isso até conhecer o Proreavi (Projeto de Restauração de Vidas), que oferece recuperação para dependentes químicos e do álcool. Ficou no sítio da instituição por dois anos, quando achou que estava recuperado e voltou à sua vida normal. Oito meses depois, com uma recaída, teve de voltar e ficou no Proreavi por mais um ano. Agora, na terceira vez que faz terapia no local, está confiante em seu futuro. "Vou conseguir tudo o que perdi e quero formar uma família." No entanto, o sonho de Edinho está ameaçado. Com uma queda nas doações de até 60%, a Proreavi passa por sérias dificuldades financeiras e a ameaça de ter que encerrar suas atividades é real. O motivo da crise, segundo Eliana Justino, presidente do projeto, é a falta de credibilidade ocorrida após a prisão, no ano passado, de uma quadrilha acusada de desviar dinheiro de doações da Abrapec (Associação Brasileira de Assistência a Pessoas com Câncer). Só em Franca, a Abrapec é acusada de desviar quase R$ 5 milhões. Eliana diz que as doações feitas por telemarketing reduziram muito desde o final do ano passado. "As pessoas não estão mais acreditando. De novembro pra cá, a situação ficou complicada e, em alguns meses, a queda chega a 60%", comenta. Atualmente com 25 internos, a instituição tem uma despesa mensal de aproximadamente R$ 20 mil. Em janeiro deste ano, as arrecadações somaram pouco mais de R$ 8 mil. "Em março, melhoramos um pouco e chegamos a R$ 12 mil, o que ainda é insuficiente. Se continuar dessa forma, existe o risco de fechar", relata a presidente. A Proreavi tem dez anos de existência e já proporcionou a recuperação de aproximadamente 960 pessoas. De acordo com Eliana, o índice de recuperação é de 60%, com tratamento médico, psicológico e dentário. A Proreavi conta ainda com plantações de milho, café e verduras, além de um pomar e da criação de porcos e vacas. Toda a produção feita no sítio é para consumo dos internos. MOTIVO DA QUEDA O receio dos doadores é a prisão de 16 pessoas em todo o País acusadas de desviar dinheiro de doações destinadas a ONGs, ocorrida em novembro de 2006. Só em Franca podem ter sido desviados R$ 5 milhões em menos de dois anos de atividade. A estimativa é que, em todo o País, R$ 30 milhões de arrecadações que iriam para duas entidades, o Grupo de Apoio a Pessoas com Câncer e a Abrapec, tenham tomado outro destino.

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