Um único fim de semana. Duas tragédias. Oito mortos, entre eles uma criança, dois irmãos e um jovem casal de namorados. Alexandre, Luciano, Letícia, Hudson, Maria Sebastiana... Pessoas diferentes, histórias distintas. O mesmo fim trágico. Os personagens dessa reportagem são apenas algumas das vítimas que integram uma nada honrosa estatística: a que coloca Franca como a 59ª cidade do País onde mais se morre por causa de acidentes de trânsito. Na média, são cerca de 80 óbitos por ano. A pesquisa não contabiliza as mortes de francanos ocorridas em outras cidades, o que elevaria o número para mais de 100. Na região, apenas Ribeirão Preto, com 118,3 mortes anuais e o dobro da população, tem desempenho pior.
A informação consta do Mapa da Violência nos Municípios Brasileiros, elaborado pela OEI (Organização dos Estados Ibero-Americanos). A pesquisa também revela dados de homicídios e mortes por armas de fogo. Franca não aparece entre as mais violentas nesse ranking. Foram levadas em consideração as ocorrências registradas nos anos de 2002 a 2004. No período, a cidade teve média anual de 78 mortes. São pessoas que morreram vítimas de atropelamentos, colisões frontais e batidas entre carros e motos na área urbana ou estradas que cortam o município.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, as Rodovias Fábio Talarico (São José da Bela Vista), Ronan Rocha (Patrocínio Paulista) e João Traficante (Ibiraci) são as que mais matam. Na cidade, os acidentes são pulverizados, mas as Avenidas Brasil, Adhemar de Barros, Hélio Palermo, Alonso y Alonso, Abrahão Brickmann e Martinho Ribeiro são as mais perigosas.
Especialistas apontam a imprudência como a principal explicação para tantas mortes. "As causas estão diretamente ligadas ao fator humano. A conduta dos motoristas é determinante, a base de tudo. É preciso adotar uma postura mais defensiva ao volante", disse o tenente Cláudio, comandante da Polícia Rodoviária. Má conservação de estradas e veículos e falta de sinalização também ajudam a engrossar as estatísticas.
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A buraqueira existente na estrada Franca/Ibiraci é apontada como a causa da tragédia ocorrida há uma semana, quando quatro pessoas da mesma família morreram após a colisão entre uma Caravan e uma caminhonete. No dia seguinte, a prefeitura se apressou em recapear parte da pista.
A Divisão de Trânsito Municipal informou que está elaborando um estudo sobre as ruas e avenidas mais violentas de Franca. A pesquisa possibilitará um direcionamento para a ampliação da sinalização e maior fiscalização pela Guarda Civil e Polícia Militar. Um especialista em engenharia de tráfego foi contratado para definir as medidas a serem implantadas para reduzir o número de acidentes na área urbana da cidade. Enquanto isso, desacelere.
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