Em 24 de setembro do ano passado, o prefeito Sidnei Rocha expediu um decreto retomando todos os serviços de água e esgoto efetuados pela Sabesp na cidade. No mesmo ato, apropriou-se dos bens, confiscou receita e créditos e se deu o direito de utilizar, sob seu comando, até mesmo o quadro de funcionários da empresa. Na ocasião, havia seis meses que as partes tentavam acertar, sem sucesso, a base de um novo contrato.
A primeira reação da diretoria local da Sabesp foi imediata. O superintendente local, João Comparini, acenou até com uma ação judicial para impedir Rocha de pôr o decreto em prática. “Nosso Departamento Jurídico, em São Paulo, estudará o que fazer para preservar o interesse da empresa e o atendimento da população”, disse, à época.
Uma semana depois, sem a reação prometida da Sabesp, Rocha fez seu pedido: queria R$ 30 milhões para assinar o novo contrato. Inicialmente, a estatal repudiou o pagamento e disse que só sairia da cidade se recebesse R$ 120 milhões, que teriam sido investidos e não recuperados. Com o passar dos dias, porém, a empresa foi recuando e, por fim, aceitou pagar o que o tucano exigiu.
Rocha, com a incontestável vitória política, creditou o “xeque-mate” sobre a Sabesp ao seu departamento jurídico. “A Sabesp havia ganhado na Justiça disputas com outros municípios. A diferença é que nenhum deles havia admitido que a empresa tinha mesmo créditos a receber. Admitimos pagar e fechamos a brecha por onde a Sabesp ganhava as ações”, disse o prefeito.
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