Lula e o papaléguas


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Novamente o nosso coiote não capturou o papaléguas. Poderíamos representar este por George Walker Bush, presidente do país mais poderoso do mundo, cujo modelo de desenvolvimento implica a submissão de muitos outros países. O Brasil escolheu a via energética, ou seja, ao mesmo tempo em que o nosso governante deixou por aí mesmo a questão com a Bolívia envolvendo a nacionalização da Petrobrás e disse que é para o bem do povo boliviano, agora quer transformar o Brasil num pólo, ou melhor dizendo quintal de produção em massa de etanol como fonte alternativa de energia. A principal pergunta que se coloca é: e os brasileiros, como se beneficiariam disso? Querem aumentar a área do País em que se produz cana-de-açúcar a fim de gerar mais etanol comercializável. Entretanto, o preço deste produto será determinado em função das leis de mercado, em que interfere o período entressafras e a demanda internacional se for exportado. Em outras palavras, o brasileiro que comprou um veículo bicombustível continuará tendo que fazer o cálculo dos 70% no valor para ver se, no dia, compensa abastecer com álcool ou gasolina. Enfim, não deveriam ser tão caras estas modalidades de combustível num país que, como gosta Lula de declarar publicamente, atingiu auto-suficiência em petróleo com a Petrobrás e tem desenvolvido pesquisas envolvendo o álcool como fonte alternativa de energia. Um trabalho do Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético da Universidade Estadual de Campinas indicou que o Brasil poderá, até 2025, fornecer quantidade de álcool tal que substitua 10% do consumo mundial de gasolina. A era dos grandes cafeicultores seria substituída pela dos usineiros da cana. A paisagem de muitas regiões brasileiras já é caracterizada pelas plantações de cana e isso degrada e desequilibra o meio ambiente, além de o turismo ecológico ficar em desvantagem. Ademais, emerge com mais vigor o problema das queimadas, que contaminam as cidades próximas, e o da exploração da mão-de-obra dos trabalhadores rurais, muitos dos quais migram de regiões mais pobres do país em busca de trabalho. O que torna a situação mais crítica é que é necessária uma área de plantio de cana muito grande para gerar quantidade satisfatória de álcool. A visita de Bush ao Brasil, em marco passado, que provocou manifestações de repúdio no país, deixou uma mensagem para que continuemos na via agrícola e sejamos a roça dos países desenvolvidos, ao passo que estes devem continuar vendendo carros e computadores com altíssimo valor agregado e a troco de toneladas de soja e litros de álcool. O Brasil insiste no caminho do desenvolvimento quantitativo e submisso, e, ainda que com muito suor, investe pouco na diversificação tecnológica e no financiamento de seus cientistas. Enquanto isso, o nosso coiote continuará caindo nas próprias armadilhas. BRUNO PERON LOUREIRO é bacharel em Relações Internacionais

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