O fim da polêmica sobre os camelôs parece estar longe do fim. Após a base aliada do prefeito Sidnei Rocha (PSDB) declarar que ele iria retirar o projeto, que prevê a cassação dos alvarás de quem comercializa produtos piratas na cidade, da pauta da Câmara, Rocha desmentiu a informação e disse apenas que irá “estudar” o tema para, depois, decidir.
A ação envolve diretamente cerca de cem trabalhadores autônomos que desenvolvem suas atividades no Centro da cidade.“Eu vou estudar...reestudar a proposta. O que não podemos é incentivar o contrabando. Vou estudar, ver se há amparo na lei estadual e federal. Vou agora analisar isso, se é (a lei) ou não precisa. É isso”, disse o prefeito.
A declaração foi dada ontem durante a reinauguração do Centro Comunitário do Parque Progresso. O prefeito admitiu, ainda, que não conhecia a fundo o teor do texto enviado à Câmara e que precisa de um tempo para decidir o que fazer. “Na verdade, eu ainda não me aprofundei nos estudos para verificar o que fazer.
Hoje tive um dia muito atribulado e agora, com calma, vou decidir”, disse.
Apesar da aparente tranqüilidade, fontes ligadas ao Gabinete disseram que Rocha está chateado e nervoso. Durante todo o dia de ontem, o prefeito buscou descobrir os responsáveis pela elaboração da proposta, mas não houve sucesso. “Sidnei está profundamente irritado com isso. Ele quer saber quem fez a lei de qualquer forma”, disse a fonte, que afirmou, ainda, que acredita em uma “punição severa” para o responsável.
A ação de adiar a retirada, contudo, pode prejudicar Rocha. Na terça, Marcelo Valim e Jepy Pereira, ambos do PSDB, partido do prefeito, criticaram abertamente o projeto e se comprometeram a articular para que ele fosse retirado o quanto antes. Por ora, foi apenas adiado por duas sessões. “Eu dou minha palavra que o prefeito retirará o projeto”, disse Valim na última terça. “E se ele voltar para a Câmara, a gente derruba”.
SERÁ?
Os vereadores da oposição duvidam que o tucano retirará o projeto. Para eles, a base governista pediu o adiamento por duas semanas apenas para ganhar tempo. Gilson Pelizaro (PT) é o mais desconfiado. “Isso está cheirando muito mal. Não ouvi isso diretamente do prefeito. Quem disse que o Paschoal fala em nome de Sidnei Rocha? Ele não fala em nome de ninguém, muito menos no do prefeito”, disse.
Pelizaro continuou a disparar questionamentos e aproveitou para criticar o também vereador Marcelo Valim (PSDB), com quem discutiu acintosamente durante a sessão de terça-feira. “O Valim falar que garante a retirada é puro teatro. Garante uma ova! Pelo que conheço do Sidnei, duvido que alguém fale em seu nome”.
Ainda segundo Pelizaro, Rocha teria interesses “de ordem pessoal” para querer prejudicar os camelôs que ficam nas Praças Dom Pedro II, 9 de Julho e da Estação. “Esse negócio de mercadoria ilegal é um pretexto para acabar com o mercado popular. Por interesse de quem o prefeito está fazendo isso? Temos de lembrar que ele também é ou foi lojista no Centro”.
Já Silas Cuba (PT), mais comedido, se a intenção fosse mesmo encerrar o assunto, não seriam necessárias duas sessões para isso. “Bastava jogar para a próxima sessão e retirar. Para que duas sessões? Além disso, somente o Executivo pode fazer isso e não sua base”, disse.
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