Além de apontar uma mudança no perfil da indústria calçadista de Franca, o estudo feito pelo SindiFranca revela ainda outro dado preocupante: todos os índices do setor estão em queda. Pares produzidos, faturamento com exportações, pares embarcados para o exterior e o número de trabalhadores das indústrias de calçados da cidade caíram nos últimos três anos. E as projeções futuras não são nada animadoras. A continuar com o mesmo cenário econômico, novas reduções não são descartadas.
Entre os índices, o que registra maior queda é o de pares exportados. Nos últimos dois anos, a redução nos embarques de sapatos fabricados em Franca para o exterior é de 34,65%. Bem maior que o encolhimento do número de trabalhadores com carteira registrada no setor, que, no mesmo período, ficou em 18,59%.
Isso mostra que, apesar de diminuírem o ritmo, as empresas continuaram produzindo para o mercado interno, senão os índices teriam de ser mais próximos.
Uma explicação para a redução nas exportações da cidade é o fechamento de grandes empresas, como a Samello, Pé-de-Ferro e Sândalo. Todas já apresentavam problemas desde 2004 e tiveram suas situações agravadas a ponto de terem de fechar portas no ano passado, o que contribui para a redução no número de pares produzidos em Franca, que só no ano passado foi de 3,25 milhões de pares de calçados que deixaram de ser produzidos no ano passado.
O faturamento do setor calçadista com as exportações também teve resultado negativo. Exportando menos e voltando sua produção para o mercado interno e feminino, o rendimento obtido com o comércio internacional caiu 19,24% em relação a 2004.
A produção total de pares também diminuiu nos últimos anos. Em 2004, as cerca de 750 fábricas da cidade chegaram a produzir 35,4 milhões de pares. No ano passado, este mesmo índice ficou na casa dos 25,5 milhões.
FUTURO
A julgar pelos resultados dos dois primeiros meses deste ano, as expectativas para 2007 não são das melhores. Só em janeiro e fevereiro, a redução no número de pares embarcados rumo ao exterior já chega a quase 30% (mais de 358 mil pares deixaram de ser vendidos para empresas de outros países).
O faturamento com as exportações também caiu 28,5%. Até fevereiro, os calçadistas já haviam deixado de lucrar mais de US$ 6 milhões.
Para o presidente do SindiFranca, Jorge Félix Donadelli, se algo não for feito para ajudar os calçadistas, novas demissões e crises não estão descartadas. “Ainda pode haver mais demissões no setor, mas nós esperamos que não haja mais falências. Nossa luta agora é para convencer o governo a nos ajudar na concorrência com os chineses, na reforma tributária e na política cambial”.
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