Os empresários que mesmo diante da queda na cotação do dólar insistiram em investir nas exportações tiveram que buscar novos caminhos. Uma das estratégias foi melhorar a qualidade do calçado produzido, aprimorando seu design e os materiais utilizados em sua fabricação, elevando o preço cobrado e direcionando o produto para um consumidor mais sofisticado e específico. Com a Carmen Steffens deu certo.
O gerente de vendas da indústria, Fernando Tosati, afirma que a empresa não exporta commoditie (produtos ‘in natura” cultivados ou de extração mineral) e sim alto valor agregado. “Nosso foco é competir com os italianos e não com chineses que vendem produtos baratos mas sem qualidade”.
Os números comprovam o direcionamento adotado pela empresa. Atualmente, um par de calçado da Carmen Steffens é negociado por US$ 71,1; no mesmo período do ano passado custava US$ 68,18. A empresa exporta 20% da produção por ano, ou seja, 80 mil pares de um total de 400 mil. “Em 2006, tivemos um aumento das exportações de 9% em relação a 2005”, disse Tosati.
O gerente afirma que, para a indústria não ser afetada pela queda do dólar, houve investimentos em tecnologia, melhora dos procedimentos de produção e redução racional de custos.
Sobre as perspectivas para o setor calçadista em Franca, Tosati é cauteloso. “É complicado falar pelos outros, mas se os empresários francanos não mudarem o foco, agregando valores aos seus produtos, os fantasmas de demissões e quebra estarão cada dia mais presentes”.
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