Um novo foco


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Sílvio Carvalho, diretor da Albarus, é um dos exemplos da mudança. Com a sinalização de problemas no mercado masculino de calçados, passou a apostar mais nos femininos. “As mulheres compram mais sapatos do que os
Sílvio Carvalho, diretor da Albarus, é um dos exemplos da mudança. Com a sinalização de problemas no mercado masculino de calçados, passou a apostar mais nos femininos. “As mulheres compram mais sapatos do que os
Franca é reconhecida internacionalmente pela produção de calçados masculinos e pela exportação de seus produtos para mais de 60 países em todo o mundo, mas a constante queda do dólar e a concorrência com os calçados chineses, aos poucos, estão alterando o perfil da produção da cidade. Pelo menos é o que aponta o mais recente levantamento de dados do setor divulgado pelo SindiFranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca). Baseada na projeção dos números de produção de parte das 120 empresas associadas, a pesquisa mostra que as fábricas de calçados da cidade começam a substituir as tradicionais linhas masculinas pelas femininas, mais rentáveis. Em 2006, 14% dos 25,5 milhões de pares produzidos em Franca foram destinados ao público feminino. Até então, a produção de calçados para as mulheres na cidade era tão insignificante que o sindicato sequer mantinha seu acompanhamento. Um exemplo da mudança de foco dos empresários é a Albarus. O diretor Silvio de Carvalho conta que, no início de 2005, o mercado masculino, principalmente para exportação, já começava a dar mostras de que os negócios não iam bem. “Não quisemos esperar. Decidimos investir no mercado interno e, para isso, apostamos nos calçados femininos. As mulheres compram mais sapatos do que os homens. Atualmente, se nós dependêssemos apenas da linha masculina, estaríamos sofrendo”. Hoje, os calçados para mulheres respondem por 35% dos 600 pares produzidos pela empresa diariamente. “A intenção é que esses produtos cheguem a 50% do total fabricado no ano que vem”. Um par de calçados femininos chega a ser vendido a R$ 60, enquanto o preço máximo dos masculinos fica em R$ 55. As estatísticas também mostram que muitas fábricas, diante da valorização do real, estão desistindo de exportar e investindo cada vez mais no mercado interno. As exportações que, em 2004, chegaram a representar mais de 40% dos negócios do setor na cidade. No ano passado, não ultrapassaram a casa dos 36%, um encolhimento de mais de quatro milhões de pares, dos quais boa parte acabou indo parar nas prateleiras e vitrines de lojas do Brasil. O diretor da Calçados Galvani, Norival Galvani, disse que a empresa parou de exportar. “Em 2004, com o mercado aquecido e o câmbio favorável, chegamos a exportar 30% de nossa produção. No ano seguinte, com a queda no dólar, este percentual atingiu apenas 5%. Em 2006, não exportamos nada. Com esta política cambial, dificilmente retornaremos ao mercado externo em curto prazo”. O montante de pares, que antes ia para o exterior, hoje ganhou cara nova e é distribuído no Brasil. “Investimos no desenvolvimento de novas linhas masculinas, voltadas para um público mais jovem e as colocamos à venda no mercado interno. Deu certo”.

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