A vida pela rua


| Tempo de leitura: 3 min
FRANCA COMO CASA - Francisco dos Santos e Aparecida saíram da Bahia para vender abacaxis e cofres em Franca: “Nós gostamos daqui”
FRANCA COMO CASA - Francisco dos Santos e Aparecida saíram da Bahia para vender abacaxis e cofres em Franca: “Nós gostamos daqui”
Eles vendem de tudo: vassouras de teto, panelas, mesas, sofás, pufes, banquetas, conjuntos de mesas e cadeiras, redes, acessórios para carro, bijuterias, cofres, frutas... Percorrem várias cidades. Andam quilômetros. Alguns trabalham de domingo a domingo. A renda mensal varia de R$ 600 a R$ 1 mil, pelo menos para os entrevistados pelo jornal. Eles trabalham sob qualquer condição climática. Não costumam ter ponto fixo, fazem das ruas, calçadas, terrenos baldios, caminhonetes, caminhões, traillers e carriolas de "cômodos" de comércio. São os comerciantes nômades ou ambulantes. A Prefeitura não controla quantos deles circulam por Franca, mas eles estão por toda a cidade. A maioria, sem opção de emprego, recorreu ao ofício para poder sustentar suas famílias. Franca entrou na rota de Joilson Oliveira, 32, comerciante de Vitória da Conquista (BA), pela primeira vez no início de março. Ele e o amigo Ramon Viana estacionaram o caminhão para vender cofres na Avenida Adhemar de Barros. Joilson está no ramo há sete anos. "Na minha cidade, não tem emprego. A alternativa que encontrei para sustentar as crianças foi vender coisas de cidade em cidade." Joilson comercializa em média 1.500 cofrinhos e oito cofres maiores por mês. "O dinheiro que entra, sai", disse ele, que lucra entre R$ 800 e 900 ao mês. "Não vale a pena o desgaste, mas é a opção que tenho." Joilson encontra a mulher e os filhos de 10, 6 e 3 anos, que estão na Bahia, de dois em dois meses. Ele não tem alvará. "Ficamos poucos dias na cidade, não compensa tirar licença. Não tenho intenção de atrapalhar ninguém, apenas trabalhar em paz." Já José Carlos Pereira, 44, começou a vender móveis expostos num terreno baldio há um ano. Ele comercializa mesas, cadeiras de madeira e vasos coloridos na Avenida Antônio Barbosa Filho, em frente ao Carrefour. Ele é de Ilhéus (BA), mas se mudou para trabalhar em Franca há dez anos. Antes dos móveis, tinha um viveiro de mudas. "As coisas estavam ruins com as plantas. Resolvi mudar." Ele compra as peças das mesas e cadeiras de um transportador no Mato Grosso e as monta em casa. Os conjuntos custam de R$ 600 a R$ 1.300. Por mês, diz que consegue lucrar R$ 600. "Não é muito, mas antes isso do que o desemprego." Jaime Moraes, 61, foi outro a improvisar seu cômodo de comércio. Em vez do terreno baldio, os pufes, cabideiros e banquetas ficam dependurados na carroceria de um caminhão. Faz 14 anos que vende estacionado na Avenida Major Nicácio. "Tenho alvará para trabalhar aqui e pago R$ 55 por ano", disse ele, que trocou a administração de uma fazenda para ser vendedor. Em outra região da cidade, Leobino Souza, 41, vende acessórios de carro. Ele pendura capas de banco e protetor de direção em uma corda entre dois postes na Avenida Abrahão Brickmann. Antes de Franca, Leobino trabalhava em Belo Horizonte (MG). "Vendi em muitas regiões diferentes, mas há quatro anos, decidi ficar só em Franca. O lucro estava ficando só nas despesas da viagem." Além do desgaste com a rotina do trabalho, os comerciantes ainda enfrentam problemas com a fiscalização. Sem licença para comercializar em via pública, estão sujeitos a multas e suas mercadorias podem ser apreendidas por fiscais da Prefeitura.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários