O café-da-manhã está mais caro para quem não dispensa o leite longa-vida na mesa. Há cerca de duas semanas, o produto teve um acréscimo de pelo menos 15% da indústria para o varejo.
Conseqüência: o consumidor já pode sentir no bolso uma diferença de até R$ 0,10 no litro do leite, independente da marca do produto. E a tendência é aumentar mais.
Apesar da entressafra, período que vai de abril a setembro e é marcado pela seca e pela queda na produção, o problema não é o clima. Os produtores apontam a escassez da matéria prima, o leite in natura, e a maior demanda para a exportação como justificativa para o aumento.
No exterior, o leite em pó, o queijo e o leite condensado foram valorizados. Com isso, os produtores que tinham dei-xado de exportar por conta da desvalorização cambial agora utilizam seus estoques para fabricar produtos para exportação.
Laércio Barbosa, vice-presidente da Associação Brasileira de Leite Longa Vida e diretor comercial da Laticínios Jussara, disse que a queda na produção do leite no mês de março foi de 20% em todo o País. “Para citar um exemplo, no ano passado o leite em pó era vendido por US$ 2; neste ano, subiu para US$ 3.
Da mesma maneira, outros tipos de leite tiveram um aumento relevante no mercado externo”, disse Barbosa.
Levantamento informal feito pelo Comércio em 20 supermercados de diferentes regiões da cidade comprovou que o aumento repassado para o consumidor não tem um percentual específico - varia de 5% a 8%. “Sempre comprei o leite Jussara por R$ 1,29. No sábado, quando fui fazer compras, assustei. O mesmo leite estava R$ 1,39”, reclamou a dona de casa Cínthia Moreno, 29.
Os comerciantes se defendem. Dizem que não tiveram outra opção. “Paguei 15% a mais pelo produto. Não teve como não repassar para o consumidor e ainda não repassei tudo. Quem ainda não reajustou, certamente, é porque tinha estoque”, disse um gerente de supermercado que preferiu não se identificar.
MAIS AUMENTO
Segundo Laércio Barbosa, consumidores e comerciantes devem se preparar. Essa não será a primeira alta no litro do leite. O novo reajuste deve ser de 15% a 20%. “O aumento para o varejo vai continuar pelo menos até o final de maio. Conseqüentemente o consumidor vai pagar mais caro não só no leite como nos produtos derivados”, disse Laércio, acrescentando que o preço deve voltar a baixar apenas em meados de outubro.
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