Caio Garcia Jardini Jorge e Lygia Xavier Del Rio namoram há dois anos e quatro meses. Juntos freqüentam cinema, pizzaria, lanchonetes e o shopping como qualquer casal. A única diferença: os dois são adolescentes e têm apenas 15 anos.
O “affair”, no melhor estilo do filme Meu Primeiro Amor em que o ator Macaulay Culkin deu seu primeiro beijo em cena, começou com a ajuda de uma amiga em comum dentro da escola e é nesse ambiente que, a cada dia, surgem novos casais de adolescentes dispostos a assumir a seriedade de um namoro. É como se o cupido estivesse solto e determinado.
No Colégio Alto Padrão/Objetivo, onde Caio e Lygia estudam, a coordenação calcula ter em torno de dez casais de namorados em um total de 500 alunos. “Esses são os conhecidos, depois tem aqueles chamados ficantes que mudam com o tempo. É uma etapa importante da vida e não tem sentido proibir, seria uma hipocrisia”, disse a coordenadora pedagógica do ensino fundamental II, Renata de Souza Assid.
Como forma de tentar controlar essa tendência e proibir exageros entre os mais afoitos, dentro da instituição há normas de conduta que os “pombinhos” precisam seguir.
Andar de mãos dadas e até algumas brincadeiras românticas são permitidas, mas beijar na boca, andar agarrados e outros carinhos... é totalmente proibido. Caso contrário, há punições que podem chegar a advertência.
No COC (Colégio Oswaldo Cruz), o método para lidar com os casais de adolescentes é semelhante. O coordenador do ensino médio, Paulo César de Barros, permite o namoro e contabiliza em torno de oito casais, porém lembra que cenas mais tórridas e inadequações também são punidas. “Não é questão de moralismo e sim de convívio social. Em sala de aula atrapalha o rendimento e nos intervalos é preciso ter disciplina”.
Caio e Lydia sabem das regras e confessam que nunca desrespeitaram. Interrogados se tiveram vontade, a resposta se traduziu em um misto de risos e timidez. “Temos respeito um pelo outro e sempre procuramos ficar em turma”, esclareceu Caio.
De acordo com o pai da garota, o professor Élio Del Rio Júnior, eles namoram como à moda antiga. “Eles são responsáveis e sempre entenderam as orientações. Ainda assim há horários, limites e cobranças. Sempre brinco que um semestre de notas boas equivale a mais um semestre de namoro”. E pelo jeito o sistema tem dado certo. “Meu pai falou que minhas notas melhoraram depois que eu e o Caio passamos a namorar”, revelou Lydia.
Embora vivam o primeiro amor, em que a intensidade de sentimentos é a principal marca, seguida da explosão de hormônios que iniciam sua festa no corpo humano, os dois já protagonizaram cenas de ciúmes. “Ela é mais ciumenta e já se manifestou”. A adolescente reconhece, mas faz questão de lembrar que durante esse período nunca brigaram. “Não percebo se outros meninos olham para mim”.
OS CUIDADOS
Pulsação em ritmo frenético, mãos suadas ou nos cadernos, bilhetes e desenhos apaixonados. Para a terapeuta holística Rita Sartori, todos esses sentimentos são impossíveis de serem controlados. Segundo ela, não adianta ser radical e proibir (“os filhos fazem escondidos”), a melhor saída é conversar com o filho ou filha e deixar ele tomar consciência se vale a pena ou não assumir o namoro. “O adolescente precisa ter noção entre o certo e o errado. Perceber as vantagens e desvantagens de namorar e também os riscos. Ele deve decidir sobre o namoro”.
Rita diz que os pais devem estabelecer uma confiança com os filhos, ter um diálogo freqüente e acompanhar as saídas. “Colocar limite de horários funciona, manter contato com a outra família, monitorar pelo celular e até mesmo colocar castigos, tudo isso é válido para controlar um namoro adolescente”.
Ainda de acordo com a especialista, o primeiro amor exerce um papel essencial na forma como o indivíduo irá se relacionar com o mundo e com as pessoas no futuro. Por isso, ele não pode ser tratado como simples brincadeira, mas sim controlado. “O adolescente perde o foco principal, pois envolve sentimentos. Cabe aos pais fazer a observação se o namoro começar a interferir na aprendizagem”.
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