Ao completar 18 anos, um dos direitos que as pessoas conquistam é o de dirigir. Este momento, tão sonhado pelos jovens, contrasta com uma decisão muito difícil para pessoas com mais de 60 anos: o momento de abandonar o volante.
No Estado de São Paulo, são mais de 13,7 milhões de motoristas habilitados, sendo que destes, 1,28 milhão (9%) possuem mais de 60 anos e continuam circulando pelas ruas. Em Franca e nos quatro municípios sob jurisdição da Ciretran local (Cristais Paulista, Restinga, Ribeirão Corrente e São José da Bela Vista), estão registrados aproximadamente 130 mil motoristas, e se for seguida a proporção estadual, 11,7 mil destes condutores possuem mais de 60 anos.
Entre eles, está o aposentado Bruno Cilurzo Neto, de 80 anos. Motorista desde 1950, ele circula pelas ruas de Franca com seu Puma conversível e garante que dirige melhor do que muitos jovens. “Sempre fui um motorista muito prudente e que respeita todas as leis de trânsito. Quando saio para dar uma volta, vejo jovens condutores cometendo absurdos ao volante. É aí que me convenço que realmente dirijo bem”.
Apesar da idade, Bruno não planeja parar de dirigir. “Enxergo e escuto bem. Tenho todos os reflexos apurados. Só vou deixar de ‘pilotar’ quando não conseguir renovar minha carteira de motorista no exame da Ciretran”.
Já a costureira Maria Cecília Tavares, 62, parou de dirigir há três anos em virtude de problemas de saúde. “Tive problemas na coluna e sentia muita dor quando eu estava ao volante. O médico me orientou a não dirigir mais e, desde então, quando preciso me locomover, peço para o meu filho me levar”.
Marcelo Caleiro, delegado titular da Ciretran em Franca, afirmou que o Código Nacional de Trânsito não estabelece uma idade específica para que uma pessoa deixe de dirigir. “Além do exame médico para a renovação da CNH, o que determina que uma pessoa de idade avançada possa dirigir ou não é o bom senso, tanto do motorista como de sua família, que deve monitorar de maneira constantemente as condições de saúde da pessoa”.
Até os 65 anos de idade, o motorista deve renovar sua carteira a cada 5 anos. Acima disso, os exames devem ser feito de 3 em 3 anos.
O médico Carlos Waldemar Motta Caleiro afirmou que, entre as principais doenças que causam reprovação, estão o glaucoma, catarata e diabetes. “Checamos as condições do paciente. Se constatada alguma outra doença, encaminho a pessoa a um especialista, que emite um laudo, autorizando ou não a pessoa a continuar dirigindo”.
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