Uma pergunta curta de um aluno sobre a possível transferência do curso de Relações Internacionais da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Franca para São Paulo e uma resposta curta e direta do reitor Marcos Macari - durante visita ao campus de Franca no dia 26 de março -, sugerindo que pode haver espaço em alguma sede na capital, resultou em uma discussão que dividiu os estudantes e professores da universidade. Afinal, o curso vai deixar a cidade?
A princípio a resposta é não. Mas a única certeza na onda de boatos é que até 2008, o curso fica. As cem vagas para o vestibular 2008 serão abertas normalmente no campus de Franca. A discussão sobre o assunto também não é oficial, mas pode acontecer a qualquer momento, já que nem o reitor Marcos Macari, nem o coordenador do Conselho do Curso de Relações Internacionais, Alexandre Ratner Rochman, descartam a transferência. O próprio Rochman acredita que a mudança do curso é uma boa idéia.
Entre os alunos, as opiniões não estão formadas. Os prós e contras da transferência do curso são muitos. "Penso na questão financeira dos estudantes. Seria difícil manter um curso na capital por conta do custo de vida. Por outro lado, em São Paulo, sem dúvida nenhuma há muitas oportunidades de trabalho.
Eu, por exemplo, se estivesse lá já estaria trabalhando em uma Organização Internacional. Tive vários convites", disse um aluno do 4º ano que preferiu não ser identificado.
Marília Gadotti Yasuda, do 2º ano de R.I, tem opinião semelhante. "Seria lastimável a cidade perder esse curso, mas é óbvio que nesta área as oportunidades nas capitais são bem maiores. Acho que está na hora da cidade investir mais".
O coordenador do curso, Alexandre Ratner Rochman, que chegou a pedir que as vagas para 2008 fossem suspensas até que a questão fosse formalizada, acredita que deva haver uma discussão acadêmica sobre o assunto. "Não vamos politizar a questão. Só pedi para suspender as vagas porque seria interessante pararmos e pensarmos. Mas depois me disseram que não haveria tempo para essa suspensão e que deveríamos abrir as vagas".
O reitor Marcos Macari não descarta a transferência desde que haja o pedido. Em nota encaminhada ao Comércio ontem, disse que se a proposta for formalizada, será debatida pela Congregação da Unidade. "Trata-se de uma questão acadêmica, a ser indispensavelmente debatida pela Congregação, à qual compete decidir favorável ou contrariamente ao seu encaminhamento para apreciação dos Órgãos Colegiados Superiores da Universidade", disse através da assessoria de imprensa.
BOATOS
Para o diretor da Unesp de Franca, Ivan Aparecido Manoel, sem um posicionamento oficial, não há o que discutir. "Um artigo de um aluno e a discussão na Câmara Municipal foram discussões sobre o nada. Existe sim gente com idéia de mudar. Mas daí até haver posicionamento oficial tem que existir projeto de mudança e este não existe", disse. "Pode estar sendo elaborado e cair na minha cabeça, como esse assunto caiu, já que nunca ninguém me propôs uma discussão nessa direção. O dia que me apresentarem o projeto, ele tramitará. Por enquanto, considero isso tudo um boato".
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