Dia de decisão


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Nenhum centavo de salário e muitas horas de dedicação para dirigir uma entidade com mais de 3 mil associados vinculados a três setores totalmente distintos da economia local. De quebra, ter de administrar (e se responsabilizar) por um orçamento de R$ 6 milhões anuais, somados a R$ 2,4 milhões que a entidade tem em caixa. Basicamente, esse é o “contrato de trabalho” do novo presidente da Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca) e de sua diretoria, que serão eleitos na noite de hoje. Apesar de parecer mais um problema do que um benefício, a disputa mobiliza, diretamente, os dois postulantes ao cargo máximo e outros 19 empresários, interessados em ocupar uma cadeira na diretoria. Por que, afinal, tanta gente quer fazer parte do primeiro escalão da Acif? O empresário Onofre de Paula Trajano, que já presidiu a Acif por três vezes, dá a pista: “É mais um ônus do que um bônus, mas é um cargo que, sem dúvida, traz status e grande prestígio político para quem o ocupa. Até pela imensa gama de serviços que a entidade presta e por seus trabalhos sociais”. O clima entre os candidatos à presidência João Carlos Cheade e Luís Aurélio Prior, respectivamente representantes de situação e oposição, não foi dos mais amigáveis ao longo dos dias que antecederam a disputa. Cheade criticou o fato de ter sido criada uma segunda chapa, o que não ocorria desde 1975, e Prior deixou escapar um clima de “já ganhou”, ao dizer que tinha 18 dos 31 votos como certos. Ontem, porém, véspera de eleição, ambos mudaram de estratégia e passaram a adotar discursos pacificadores. Cheade, representante da chapa “União”, disse que está tranqüilo e que não se sente angustiado com a proximidade do pleito. Vice-presidente em quatro gestões anteriores, pela primeira vez, o engenheiro civil pode ocupar o principal cargo da Acif. “Estou sossegado. Períodos de pré-eleição são épocas de prestar contas, dar satisfação aos conselheiros e associados. Não estou tenso e acredito que nossa chapa terá sucesso”, disse. “Mas não quero fazer previsões e criar polêmica. Se tem algo que não quero, mesmo, é polemizar. Pelo lado da chapa “Incluir, Transformar e Humanizar”, Prior diz que também quer paz. Afirmou que está preocupado com a articulação de sua campanha e que não pretende entrar em discussões ou provocações com o grupo adversário. “Não quero polêmicas. Meu único foco é vencer a eleição e comandar bem a entidade, dando oportunidade para que os associados façam cursos, treinamentos e melhorem seus resultados. Há uma diferença de idéias, por isso temos duas chapas. Nada mais que isso”, disse. Pelo estatuto da entidade, os 31 membros do Conselho Deliberativo são os únicos com direito a voto direto. Os mais de 3 mil associados da Acif não participam diretamente da votação, que é secreta. Escolhem apenas o grupo de conselheiros que determinará os rumos da instituição até abril de 2009. O início do pleito está programado para as 18 horas. O Comércio abriu espaço igualitário para os dois candidatos enviarem suas propostas de gestão. MUDANÇA DE COMANDO Os lojistas representam o nicho mais expressivo da Acif: 60% dos associados são vinculados à atividade comercial. Mas, desta vez, o presidente virá de uma das “minorias”, da entidade. Tanto Prior como Cheade são prestadores de serviço, sendo que o primeiro tem um escritório de contabilidade e o outro é dono de uma empresa de engenharia. Esta classe de associados soma 25% dos associados. Outros 15% são vinculados à indústria. O fato dos lojistas não estarem no cargo máximo não é muito comum. De 1975 até hoje, somente em dois períodos a presidência foi assumida pelas outras classes. Foram eles entre 1977 e 1980, quando a gestão foi de Helil Palermo, que era industrial, e entre 1989 e 1993, com Paulo Rubens de Almeida, que prestava serviços na área de seguros.

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