Alfredo Palermo
especial para o Comércio
O Brasil atravessa, há mais de uma semana, uma grave crise político-administrativa, no meio da qual houve um motim perigoso, refletido por uma publicação de manifesto de militares contra o presidente da República. O Clube Militar, cansado das negativas de Lula em relação à desmilitarização dos controles de vôo, anunciou que iria pleitear ao STF o ultimato para punir o presidente, não só com a cassação mas com as penas do Código Penal Militar.
A situação é das mais graves porque há meses os controladores de vôo pediram recomposição de seus vencimentos, desafiaram a atuação dos vôos criando uma crise funcional e obrigaram a militarização daquele setor. Os militares, por seu lado, substituindo os civis, fizeram uma greve de 24 horas, reclamaram de seus direitos, ameaçando provocar vários apagões. Segundo o Ministério Público Militar, os controladores cometeram infração punida pelo Código Penal Criminal, devendo ser processados por crimes que podem acarretar penas de oito anos.
Ao lado desse clima de insubordinação às recomendações do presidente Lula, os sargentos militares, controladores de vôo, se mantêm (até agora) em sua posição de grevistas, enquanto a Câmara Federal se agita contra uma possível CPI. De certa forma, os militares assumiram posições de confronto, mas o presidente prometeu anistiá-los. No entanto, a situação criada assustou a opinião pública, pois foi através de um choque entre a Aeronáutica e o ex-presidente Getúlio que o Brasil sofreu a maior crise política da República.
Em suma, os jornais deste dia (3/4/07) têm estas manchetes: `Chinaglia (o presidente da Câmara Federal) resiste a instalar a CPI`; o sociólogo Eliezer Rizzo de Oliveira, mestre em assuntos militares, disse ao `Estadão`: `Lula tem de parar de atuar sindicalmente!`. Por seu turno, o procurador-geral da República, falando sobre a crise após ter ficado seis horas aguardando avião em Brasília, disse: `A situação é horrível e as causas não estão sendo esclarecidas`. Finalmente o ministro do Planejamento Paulo Bernardo falou: `O presidente prepara reação ao motim!`.
Ao presidente Lula falta certo senso de medida ao comentar os problemas normais da administração pública. Velho cacique sindical, faltam-lhe serenidade e firmeza para enfrentar quaisquer protestos ou reivindicações. Espera-se que os fluxos benéficos da Quaresma possam levá-lo a um ato de Justiça e de entendimento.
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