A temporada de guerra contra os bichos começou. Em qualquer bairro da cidade, é fácil encontrar um morador reclamando da invasão de baratas, carrapatos, pernilongos e aranhas. Cobras, ratos e até sapos também andam tirando o sono de muitos francanos que dizem estar próximos de declarar a rendição já que o número de pragas tem sido tão grande que as táticas de extermínio não têm dado muito resultado.
A expectativa era que, com o fim do verão, o tormento causado pelas chamadas pragas urbanas se reduzisse, mas não foi o que aconteceu. Com o clima quente e úmido, quem mora às margens de córregos, brejos, matagais e cemitérios não sofre apenas com o calor. Os moradores são obrigados a conviver com várias espécies animais. O descontentamento é evidente. Só a Vigilância Ambiental tem recebido, em média, 20 reclamações por semana do aparecimento de pernilongos, ratos, baratas, aranhas, escorpiões, cobras, carrapatos e até sapos. "Como está mais quente, os bichos saem de seus abrigos", disse Paola Russo, veterinária da Vigilância.
A dona de casa Josiane Costa, 30, mora na Vila Industrial, e há cerca de um mês, além dos pernilongos, tem sido incomodada por carrapatos. "Num único dia, tirei mais de 30 carrapatos das orelhas do meu cachorro e depois, outros 18. Achei até no berço da minha filha de dois meses e andando pelas paredes", disse ela, que desconfia que os bichos saiam de um terreno vizinho usado como pasto para cavalos.
Josiane se sente de mãos atadas para controlar as pestes. "Já comprei veneno, passei na casa inteira e no cachorro, mas eles ainda aparecem. São uma praga."
Para Marcos de Alcântara, a situação do bairro onde aluga uma casa há três anos, no prolongamento do Santa Rita, é de abandono. "O problema é esse terreno aqui em frente. Para piorar, tem as capivaras que vivem na represa do Castelinho e juntam carrapatos. Alguma providência precisa ser tomada", disse ele, que reside na Rua Primo Tasso.
Na zona Sul, a cerca de seis quilômetros da casa de Marcos, a dona de casa Malvina Santos, 36, também procura uma solução para exterminar ratos e baratas de sua residência, no prolongamento do Jardim Santa Bárbara. "Tem muita gente colocando fogo em terrenos para queimar o mato e isso faz os ratos fugirem e entrar dentro de casa. Dia desses, vi um andando na madeira do telhado, mas tenho medo e não matei. Não sei se foi embora."
Malvina não quer usar venenos para combater os roedores, pois tem crianças pequenas e teme que comam as iscas. "Prefiro conviver com o medo a arriscar", disse.
POUCO MUDA
Acionada, a Vigilância Ambiental não tem muito o que fazer. Quando recebe queixas dos moradores, limita-se a orientá-los sobre como evitar e eliminar as pragas, o que é feito por telefone e, quando possível, pessoalmente. "Todos os vetores ficam onde há abrigo e alimento. Para afastá-los, a pessoa tem de manter cuidados básicos de higiene, não acumular lixos e entulhos e evitar deixar restos de comidas nas vasilhas dos animais domésticos para não atrair ratos", disse Fernando Baldochi, chefe de Vigilância em Saúde.
Outra recomendação é contratar um serviço de controle de pragas, mas a empresa precisa estar credenciada para realizar o trabalho. "Antes de finalizar o negócio, o cliente deve pedir para consultar a documentação que comprove os licenciamentos para trabalhar. Como há aplicação de produtos químicos, a cautela nessas horas evita contaminações e outros tipos de problema", disse Fernando. O efeito da dedetização dura de 30 dias a três meses.
Com o tempo seco e mato alto nos terrenos vazios, a procura pelas dedetizadoras cresce. Só para pernilongos, a Betther Service Brasil tem recebido de três a quatro chamados por dia, especialmente em bairros próximos a matagais. Quem precisa eliminar os insetos tem de entrar na fila e esperar cerca de uma semana pela dedetização. "Temos muitos chamados. Quase não damos conta de atender a todos", disse Rafael de Moura, proprietário.
SERVIÇOS
Quem quiser saber mais sobre como exterminar as pragas pode consultar a Vigilância Ambiental pelo telefone 3711-9408.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.