Nos últimos anos, na mídia, multiplicou-se um tipo de analista empenhado em examinar a crise brasileira à luz das raízes ibéricas. Certamente, o corporativismo é uma praga, assim como a visão do Estado paternalista, o empreguismo, a falta de oxigênio para o empreendedorismo.
Mas não é a única faceta dessa praga secular brasileira, que sistematicamente tem impedido o desenvolvimento. Há outro aspecto, um desequilíbrio político e um predomínio técnico que tem sido correntemente utilizado pela parte dita mais internacionalista da elite brasileira.
As grandes nações do mundo se fizeram sob a égide do trabalho. Mais que isso, do desenvolvimento equilibrado, do apoio às pequenas e médias empresas, do desenvolvimento regional, da inclusão social. A grande saga inglesa e, depois, americana, foram construídas em cima desses primados, da inclusão, da busca do bem-estar, da universalização dos serviços essenciais, educação, saúde, democracia.
A tragédia brasileira consiste em oscilar entre dois extremos do que de pior existe em termos de elite. A períodos de extremo corporativismo sucedem-se outros de extrema espoliação do País, através de um financismo rasteiro que tenta se legitimar como falsa ciência.
Governar é a arte de iludir, especialmente com a cartelização da opinião. Há doze anos se vem com a história da "lição de casa", com a ameaça de qualquer redução maior de juros trará o inferno da hiperinflação de volta, e outros clichês que não resistem a nenhuma análise de bom senso.
Em 1994, quando colocava em prática a trágica política cambial do período, que vitimou setores inteiros da economia, Gustavo Franco se defendia alegando que a situação internacional era inédita, logo não se poderia analisar a economia sob princípios desenvolvidos em outros períodos.
Agora se volta ao mesmo lenga-lenga. Está-se no auge de um ciclo de internacionalização financeira da economia, e de aparecimento de uma nova potência, a China. Os resultados têm sido bolhas especulativas recorrentes, desequilíbrios freqüentes, com os analistas internacionais divididos apenas em relação à data quando se dará um ajuste mais brusco na economia mundial.
Mas analistas pegam o superávit comercial brasileiro para sustentar que o quadro é outro, que a internacionalização é irreversível, e que as empresas terão necessariamente que se adaptar a esse novo quadro. Não bate, a não ser como elemento de defesa de seus interesses específicos.
A economia não é uma ciência de grandes mistérios, mas se presta a muitos engodos. Primeiro, não há ajuste empresarial suficiente para enfrentar apreciações tão renitentes do real. Mesmo se houvesse, todo o aumento de eficiência, em vez de permitir às empresas se projetarem internacionalmente, serve apenas para garantir a sobrevivência. Todo o esforço empresarial de melhoria de processos não tem como fruto aumento da rentabilidade, permitindo a reinversão dos lucros em ampliação da produção e do emprego. Serve apenas para compensar o real forte. E isso na melhor das hipóteses, quando as empresas conseguem sobreviver.
PREVIDÊNCIA 1
Levantamentos do Núcleo Atuarial da Previdência (NAP), entidade da Coordenação de Programas de Pós-Graduação de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), indicam que São Paulo tem o maior déficit de previdência pública do País. Em 2006 somou R$ 154,34 bilhões. Representa mais de 1/3 de toda a deficiência do sistema de Previdência estadual brasileiro ou 40% do total.
PREVIDÊNCIA 2
Esse problema já havia sido detectado no governo Mário Covas. Tanto que foi elaborado um trabalho para a capitalização da previdência paulista com recursos da venda de estatais do Estado. Na gestão Alckmin os estudos foram abandonados e a venda de estatais serviu apenas para cobrir aumentos de déficit orçamentário. Desde a morte de Covas o tema foi abandonado e, agora, estourará no colo dos próximos governantes.
ZONA FRANCA 1
O governador de São Paulo José Serra será procurado por empresas sediadas em Manaus com a proposta de uma trégua. No governo passado, para enfrentar a invasão de produtos fabricados na Zona Franca (90% são colocados no mercado interno) São Paulo criou uma legislação beneficiando empresas que recorrem à Lei de Informática. Com isso, automaticamente excluiu empresas que se beneficiam da Zona Franca.
ZONA FRANCA 2
Como as duas leis não podem ser cumulativas, a redução do ICMS beneficiará apenas empresas sediadas fora da Zona Franca. A alegação dos fabricantes é que não se trata de guerra fiscal típica. A guerra ocorre quando um Estado dá isenção de ICMS a uma empresa e depois exige restituição do Estado que adquiriu o produto, mesmo não tendo sido cobrado na fonte.
FEBRE NA BOLSA
Os juros do Banco Central ajudaram a turbinar a Bolsa de Valores, mesmo a bolsa não sendo para aplicações de renda fixa. É que os juros garantem aos investidores externos que o câmbio não será alterado, que ainda haverá espaço para novas apreciações da moeda. Com isso, reduz o risco de trazer dólares para o País. Sabendo que a redução dos juros canalizará recursos para o mercado, os investidores correm para a Bolsa.
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