Dois ex-funcionários da Prefeitura aplicaram golpes na venda de túmulos dos Cemitérios Santo Agostinho e da Saudade. Pelo menos um deles já foi descoberto: a venda de um mesmo terreno para duas famílias diferentes. Além disso, os golpistas vendiam lotes por conta própria e não repassavam o dinheiro aos cofres públicos.
As falcatruas teriam ocorrido entre 2000 e 2003 e mais de 600 espaços (a R$ 560 cada) foram negociados ilegalmente. O prejuízo seria superior a R$ 300 mil. O caso veio à tona após a denúncia de uma proprietária de que outra família queria construir uma gaveta em seu túmulo. Ela procurou a polícia, que registrou Boletim de Ocorrência. A Prefeitura instaurou sindicância para apurar o caso.
Na outra modalidade do golpe, a Prefeitura era a maior prejudicada. Os túmulos dos cemitérios, mesmo depois de vendidos, não pertencem à pessoa. O Certificado de Uso Perpétuo vale por tempo indeterminado, mas deixa de vigorar se não houver herdeiros do comprador a serem sepultados. O lote volta, então, ao poder público, que pode negociá-lo novamente. Entre 2000 e 2003, dois servidores tinham a incumbência de pesquisar quais túmulos poderiam ser retomados. O trabalho era feito mas, em vez de comunicar à Prefeitura, eles vendiam os terrenos e se apoderavam do dinheiro.
O secretário de Governo, Odair Tristão, confirmou pelo menos três casos, mas não descarta a hipótese de muitos outros terem ocorrido. "Em um deles, uma família havia se mudado para Portugal. Nos outros, para Belo Horizonte e São Paulo. O escândalo foi descoberto porque davam muito na cara. Chegavam a anunciar na mídia", disse.
Segundo Tristão, em 2004, a falcatrua foi investigada e um dos servidores, concursado, suicidou-se tão logo o caso se tornou público. O segundo, já desligado, responde a processo criminal por estelionato. "Ele vai ter de se explicar com a polícia e com a Justiça", disse o secretário.
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