Será que existe solução?


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Houve tempo em que manifestava publicamente minhas opiniões através do Comércio, mas resolvi parar pelo total desencanto com os caminhos que tomam os dirigentes políticos deste País em todos os níveis e por absoluta falta de inspiração, provocada talvez pelo desilusão de ver arrebentados os laços familiares, o crescimento desmedido da violência e da bandidagem, a falta de cultura e de educação do povo em geral que, na sua grande maioria não tem a escolaridade mínima e, quando freqüenta alguma escola nada assimila por culpa da péssima qualidade de ensino, principalmente nas escolas públicas. Parece que o governo tem interesse cada vez maior em ver o povo empobrecido e, por isso mesmo, embrutecido. Floresce e cresce com espantosa velocidade a plantação de dinheiro no bolso dos banqueiros que tomaram o lugar dos antigos e mal falados agiotas, enquanto que aqueles que produzem e geram empregos, sofrem os males desse capitalismo selvagem que como uma praga, assola a indústria, o comércio e a agricultura, num País que tinha tudo para ser o grande celeiro do mundo. Isso sem falarmos na jogatina desenfreada bancada pelo governo federal através do seu agente financeiro. Temos que assumir a nossa parte de culpa em todo esse quadro até porque, com a nossa covarde omissão e indiferença para com tudo e com todos, sempre visando primeiro nosso bem-estar sem nos preocuparmos com o dos nossos semelhantes, somos co-autores deste crime de lesa-pátria. Se nossa vida vai ou está bem, que se danem os outros e, se por algum motivo ou outro ela vai mal, aí sim, pau no governo e no vizinho que está rico porque é ladrão ou traficante e ele, um cidadão honesto e trabalhador, está pagando o pato. Porém, basta lhe oferecer um agrado, ou uma "bolsa-família" de míseros cinqüenta reais por mês que muda de opinião em relação ao governo, que passa a ser o melhor do mundo e, quanto ao seu vizinho, passa a vê-lo com outros olhos e chega até a convidá-lo para um "churrasquinho" no final da semana. Vejam como exemplo a situação da Santa Casa local. Sem dinheiro, diziam, só restava um caminho, de dois: estatização ou fechamento. Agora, que parece que vai acontecer a encampação pelo governo - falta só prestar contas segundo disse o Governador - aqueles que queriam a sua entrega ou o encerramento de forma total, voltam atrás e querem a sua parte no bolo pecuniário e tentam atrapalhar a aplicação do remédio. Por tudo isso acho difícil acontecer qualquer tipo de mudança neste País, que está fadado a continuar a ser o quintal e a latrina das nações mais ricas, onde ocorrem os festivais e os bacanais à luz de velas e de belas músicas cantadas pelo Planalto e nós, como formigas, vamos em filas levando para os seus cofres o nosso suado e minguado salário sem termos a contraprestação mínima que é podermos gozar de uma vida decente que reerguesse a vida em família, a base real para a reconstrução de tudo e de todos. ODORICO ANTÔNIO SILVA é advogado

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