Aberta temporada de queimadas em Franca


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Com o forte calor dos últimos dias, as queimadas em terrenos baldios viraram rotina em Franca. Na foto, terreno da Rua General Jose Oliveira Ramos
Com o forte calor dos últimos dias, as queimadas em terrenos baldios viraram rotina em Franca. Na foto, terreno da Rua General Jose Oliveira Ramos
Cheiro forte, fumaça dentro de casa, fuligens espalhadas pelo ar e nas roupas do varal e alergias respiratórias são os sinais de que elas voltaram. Com o calor, as queimadas em terrenos baldios têm, cada vez mais, sido usadas como forma de se livrar dos matagais e lixos. O problema já incomoda e deve ficar dez vezes maior a partir das próximas semanas. Hoje, os bombeiros recebem entre dois e três chamados diários para conter focos de incêndios. "No meio de abril, a situação tende a ser mais crítica. As denúncias de queimadas urbanas poderão chegar a 20 por dia", disse o Capitão Alexandre Santos, comandante regional do Corpo de Bombeiros. Em apenas dois dias, a reportagem do jornal encontrou cinco terrenos com chamas. A cidade possui mais de 38 mil áreas vazias. Como a maioria está suja, torna-se alvo fácil para atearem fogo. "Os terrenos são verdadeiros barris de pólvora. É fácil a pessoa chegar e queimar o mato. Com o tamanho da cidade, o controle da prática fica impossível", disse o capitão Alexandre. Com as queimas, a população e o meio ambiente são prejudicados. A qualidade do ar fica afetada, pois, além da falta de chuvas e umidade relativa do ar reduzida, há a fumaça na atmosfera. A procura por hospitais e inalações devem crescer também. "Pedimos para as pessoas não queimarem os matos. A prática é crime ambiental e faz mal às pessoas que sofrem com irritações respiratórias", disse Francisco Setti, superintendente da Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental). [FOTO2] Na Vila Santa Rita, a família de Adriana Silva, 31, é uma das incomodadas. Nesta semana, a dona de casa se assustou quando atearam fogo no mato crescido em terreno nos fundos de sua residência. "Eram umas 11 horas quando ouvi os estalos do fogo. Ao olhar no muro do quintal, vi as chamas mais altas que minha casa. Desliguei o gás para evitar vazamentos e saí de casa correndo com meu menino de dois anos. Achei que iria perder tudo", disse. E não foi só. Ela tem rinite e a criança, bronquite. "Tive de ficar umas duas horas na minha mãe até conseguir entrar em casa por causa da fumaceira e do cheiro de queimado. Mesmo assim, tive de tomar antialérgico." Na região, em apenas um quarteirão, queimaram três lotes. Um terreno vizinho do Shopping do Calçado, na Avenida Doutor Hélio Palermo, no Jardim Boa Esperança, foi outro alvo de fogo anteontem. Com poucos minutos de chamas, a calçada, a areia do parque infantil do local e residências próximas ficaram cheias de fuligens. A ocorrência deixou a babá Maria Gonçalves, 60, preocupada. Ela cuida de dez crianças entre 1 e 10 anos e seis delas têm alergia. "É só o cheiro de queimado entrar na casa que elas se queixam. Até a gente que não tem nada, sente falta de ar com o fedor. Isso tem de acabar." COMO AGIR Em casos de incêndio, os bombeiros podem ser acionados para controlar as chamas. Mas, o órgão trabalha com limitação de viaturas de incêndio (são cinco veículos) e, segundo o Capitão Alexandre Santos, muitas vezes, é preciso selecionar os chamados. "Priorizamos locais com concentração de público, como escolas, hospitais, shoppings, creches e onde há residências ameaçadas." Se alguém flagrar a pessoa colocando fogo no mato, deve acionar a Polícia Ambiental ou denunciar o caso ao Ministério Público e Cetesb, caso o estrago for em grandes proporções. "O ideal é comunicar a infração à Promotoria com elementos que provem a ação como fotos. A partir do material, aplicamos advertências", disse Fernando Martins, promotor do Meio Ambiente de Franca. O telefone da promotoria é 3721-1978.

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