“Pegar maconheiro não era serviço dele”


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Antes de ser levado para a cadeia, Odirley concedeu entrevista ao Comércio e contou detalhes do assassinato. Admitiu que um baseado de maconha foi mesmo o estopim para a confusão. Disse ter sido agredido antes de matar e que teria agido em legítima defesa. Embora afirme o contrário, não aparentou estar arrependido. Não foi a primeira vez que se meteu em confusão por causa de drogas. Já esteve preso um ano e sete meses na cadeia do Jardim Guanabara acusado de tráfico. Comércio - Por que você matou o funileiro? Odirley - Para não morrer. Imagina eu correndo atrás de você. Eu quebro sua cara, bato em você e saio correndo atrás de você. Que paz eu quero? Comércio - Ele agrediu você? Odirley - Ô. Lógico. Comércio - Por qual motivo? Odirley - Porque eu estava fumando maconha. Ele saiu sem falar nada e me agrediu. Pegar maconheiro é serviço da polícia. Não era serviço dele. Todo homem se defende. Fiz o que todos fariam. Comércio - Você saiu do local após a suposta agressão? Odirley - Eles estavam em oito e me bateram. Como não agüentaria mais, saí correndo. O cara correu atrás e arrancou uma faca. Nisso, invadi uma casa, no Parque São Jorge, peguei uma faca e fiz o que tinha que fazer. Dei uns cinco ou seis golpes nele. Ele puxou a faca primeiro. Eu não estava armado. Comércio - E o outro rapaz que estava com você? Odirley - Ele não tem nada a ver. Só separou a briga. Comércio - Depois de matar, para onde você foi? Odirley - Fui para o mato. Fiquei lá até agora à tarde. Comércio - Familiares do funileiro dizem ter visto você no bairro... Odirley - Quem tem boca fala o que quer. Acabo de matar um e vou ficar andando por aí? Só se fosse muito folgado. Sei que tirei a vida de um e que não estou certo. Arrependido estou, mas antes ele... A briga foi assim: ele me matava ou eu matava ele. Comércio - O que falaria para a família da vítima? Odirley - Para eles, não tenho que falar nada. Tenho que falar que Deus me perdoe. Já era. Na hora que ele estava batendo em mim, não pensou na minha família. Comércio - Então, você não se arrepende? Odirley - Arrependo, sim. Acabei de tirar uma vida. Me arrependo. Só que qualquer um no meu lugar faria o mesmo: legítima defesa.

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