Dores insuportáveis no braço por conta de uma distrofia muscular e um laudo médico que aponta incapacidade de exercer qualquer atividade com o braço direito não foram suficientes para que a perícia médica do INSS (Instituto Nacional de Seguro Social) de Franca mantivesse a sapateira Nilva Maria Prado de Lima, 38, afastada do trabalho. Se precisar de dinheiro para comprar medicamentos e alimentação, a sapateira terá que trabalhar ou depender da ajuda de familiares.
Nilva trabalhava como aparadeira de calçados e, em 2002, o médico constatou que ela tinha tendinite (inflamação nos tendões por esforços repetitivos) no braço direito. A doença evoluiu para distrofia simpático-reflexa (distúrbio doloroso complexo, que se apresenta com uma dor intensa e persistente, em um dos braços) e, apesar de uma cirurgia, o quadro não apresentou melhora. Há quatro anos ela está afastada do trabalho.
Atualmente, ela mal movimenta o braço e a mão. Passa a maior parte do dia com o braço para cima. Diz sentir muitas dores e sua sem parar. Tem dificuldades para se pentear e cuidar da higiene pessoal. Ao relatar seu drama, chora. “Preferia mil vezes o trabalho que passar pela humilhação de uma perícia”.
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Até janeiro deste ano, Nilva esteve afastada do emprego recebendo auxílio-doença. No dia 26 de janeiro, precisou marcar novo exame, que avaliaria seu caso. Não conseguiu e foi orientada a voltar ao INSS no dia 22 de fevereiro. Nesse dia, a perícia finalmente foi marcada para 3 de abril, anteontem. Mal sabia ela que seu pedido de afastamento seria recusado.
“O médico simplesmente disse que não poderia me afastar porque o computador recusou o pedido. Achei estranho. Ele não me examinou, só olhou o laudo do meu médico particular. Viu meu problema e não fez nada. A perícia durou menos de sete minutos. É um absurdo”.
Nilva contou que o perito do INSS chegou a orientá-la a não voltar ao trabalho porque ela não conseguiria. “Ele disse para eu dar um prazo e voltar a marcar uma nova perícia. Mas até lá, como eu fico? Como ficam minhas contas, meus medicamentos?”, indaga.
Procurada pelo Comércio, a chefe do INSS de Franca, Célia Visconde, disse que o sistema da Previdência Social recebeu uma nova versão no dia 30 de março. Essa versão, segundo ela, limita alguns pedidos de afastamento. No entanto, Célia não soube dizer se esse seria o caso da sapateira. “Ela precisa nos procurar para avaliarmos a situação e dar melhores explicações. Não posso falar do procedimento médico e da decisão tomada pelo perito”.
Ao ser informada pelo Comércio de que poderia procurar o INSS, Nilva chorou. “Será que vou conseguir continuar afastada? Será que vão fazer alguma coisa por mim? Estou quase perdendo as esperanças”.
O advogado José Flávio Garcia explicou que, se Nilva não conseguir resolver situação, o caso pode ser levado à Justiça Federal. “Não é preciso esperar pela morosidade administrativa do INSS. Quem tem pedidos de afastamento ou aposentadoria indeferidos e laudos que comprovam a incapacidade ao trabalho, deve entrar com ação judicial contra a Previdência”, disse.
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