O governador José Serra decretou: dinheiro, só depois que a “caixa-preta” da Santa Casa for aberta. A instituição tem um déficit estimado - não se sabe exatamente como - em R$ 850 mil, além de uma dívida consolidada de R$ 28 milhões. No vermelho, pediu auxílio ao governo do Estado, que aceitou arcar com o prejuízo, mas quer saber com detalhes para onde vão os mais de R$ 30 milhões repassados anualmente pelo SUS (Sistema Único de Saúde).
A questão voltou à tona na terça-feira quando Serra declarou, durante visita a Barretos, que o acordo com a Santa Casa só não saiu do papel porque a instituição não teria cumprido prazos para o envio de documentos. “Não posso repassar as verbas se não houver uma análise minuciosa da razão do rombo. No caso de Franca, o problema é complexo. Preciso ter os estudos adequados e uma maior abertura financeira da entidade para avaliar”, disse o governador.
Segundo o secretário estadual de Saúde, Luiz Roberto Barradas, a instituição ainda precisa repassar “metade dos dados” a que se comprometeu e, sem eles, não haverá qualquer ajuda financeira. “Apresentaram alguns números, mas faltam informações”.
As declarações, publicadas ontem pelo Comércio, tiveram repercussões imediatas. O prefeito Sidnei Rocha (PSDB), intensamente pressionado pela sociedade civil e pela Santa Casa para aceitar o acordo em que abre mão da gestão dos cerca de R$ 30 milhões do SUS, não perdeu a oportunidade e alfinetou a direção do hospital. “O mais engraçado é que, após aquela pressão insuportável, fiz minha parte, mas o Estado e Santa Casa estão batendo a cabeça. Vou cobrar uma explicação sobre o caso”, diz.
A direção da Santa Casa, contesta o governador Serra. O superintendente da instituição, Fernando Bueno, negou que o hospital esteja retardando a entrega de documentos. “Há algum engano ou falha de comunicação. Enviamos tudo que nos pediram”, disse.
Segundo o superintendente, a direção da Santa Casa terá de remeter mais alguns documentos para a Secretaria, mas ainda aguarda a definição de quais são eles. “No último contato que tivemos com a Maria Iracema (Leonardi, coordenadora da secretaria para o interior) ela ficou de listar o que faltava, mas isso não ocorreu”, disse. ‘Hoje (ontem) mesmo vou falar com a Iracema para saber o que está havendo”.
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