Escritores francanos na berlinda


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Acreditando na força criadora dos escritores francanos, o Comércio abriu espaço para 21 deles mostrarem seus contos ao leitor há três anos, em 2004, com a publicação de Os Contistas do Jornal Comércio da Franca. A proposta foi bem aceita pelo público e não só durante o ano de lançamento do livro. Vem rendendo resultados até hoje. Prova disso é que graças à iniciativa da professora de português Marina Garcia Novato, 48, da Escola Estadual “David Carneiro Ewbank”, o livro é um dos mais procurados nas duas Bibliotecas Municipais da cidade. O motivo ? A indicação para a leitura e posterior avaliação dos alunos do ensino médio. A novidade começou no ano passado, quando a professora resolveu trazer os contos para a sala de aula. "Sugeri ao 2º ano o livro. Pedi que se sentassem em duplas e que lessem os contos, logo depois nós comentávamos as histórias" conta a professora, que a partir daí notou melhora na escrita e no desempenho dos alunos. Depois desta constatação, resolveu ir além. Este ano, em uma nova turma do segundo colegial, ela sugeriu novamente a leitura e ainda uma avaliação. "Percebi que para os alunos despertarem mais para a leitura não se pode começar com livros longos ou complexos. O ideal é ir devagar, então resolvi estimulá-los" disse ela, que viu no livro Os Contistas do Jornal Comércio da Franca um meio de `fisgar` os alunos para a leitura. "Nada melhor do que começar com contos e ainda mais se os contistas forem da própria cidade. Isso faz com que os alunos se aproximem mais ainda da leitura" ressaltou. CADA CONTO, UMA IDENTIFICAÇÃO O entusiasmo dos alunos com o livro é notado de longe. Durante a entrevista ao Comércio, um grupo deles se reuniu para comentar os trechos que mais chamaram a atenção, e todos, sem exceção, se identificaram com pelo menos um. Segundo Natan Jaime dos Santos, 16, o que mais o marcou foi “Estórias de meu estranho amigo Bororó”, de Alfredo Palermo. "Me identifiquei com o local pacato do Largo das Magnólias e com o humor e cotidiano do estudante Bororó", disse Natan, que adora ler e pretende cursar faculdade de História. Já a estudante Camila Luiza de Melo, 16, disse que “A Vingança”, de Marlene Becker, e “Amargas Ilusões”, de Apparecida Gomes do Nascimento Thomazelli, são histórias bastante interessantes. "A primeira é um suspense, uma história que mexe com a gente por causa da traição e da morte do personagem. A segunda é muito surpreendente, pois conta a vida de uma noiva, desde a entrada no altar, até anos depois do casamento quando ela decide dar um chá fatal ao seu marido para tentar obter a felicidade", afirma a estudante. “Uma Noite de Crueldade”, do escritor Everton de Paula, foi um conto que chamou a atenção não só da estudante Maria Emília Lino Souza Silva, 16, mas, segundo ela, também de sua mãe. "Nós lemos e gostamos, principalmente minha mãe, que estudou com o autor. O conto a fez lembrar de alguns locais antigos da cidade, como a Praça João Mendes, na Cidade Nova, e de fatos que aconteceram aqui no passado. Entre os contos presentes no livro, também foram citados “O Vestido Azul de Estela”, de Sônia Machiavelli Corrêa Neves, como uma história comovente e motivadora da leitura com interesse. "É um conto muito suave e na hora em que o o marido pergunta ao sobrinho onde está a mulher, que naquele momento já havia morrido, é bastante triste e me marcou muito", afirmou a estudante Maria Emília. Os alunos também destacaram “Mancha”, de Luiz Cruz de Oliveira, e “A Ladra”, de Tereza Rici, que foram classificados como os mais engraçados. "Ambos contam histórias muito divertidas que vale a pena ler mais de uma vez", afirmou Natan, que completou: "Absinto”, de Vanessa Maranha, é o mais difícil de todos. Talvez porque estamos nos iniciando na leitura literária agora, temos um pouco de dificuldade com textos mais complexos", disse o estudante. Neste mês os alunos do segundo ano farão uma avaliação escrita da leitura do livro. A professora não quis revelar detalhes das provas, mas afirmou que elas serão diferentes e exigirão dos alunos um pouco de conhecimento de cada contista. Os alunos confessam que não estão com tanto medo assim da avaliação, pois a leitura foi muito proveitosa. "Foi um livro muito gostoso de ler e a leitura atenta já nos preparou para a prova. Então que ela venha", finalizou brincando a estudante Maria Emília. CONTISTAS SE DIZEM SATISFEITOS Entre os 21 contistas que fazem parte do livro, três foram entrevistados pelo Comércio e se dizem surpresos e satisfeitos com a reação dos alunos. Para o escritor Alfredo Palermo a iniciativa da professora foi excelente e deve ser usada como exemplo. "É preciso que os professores continuem estimulando os seus alunos para leitura, pois a melhor coisa é ter com freqüência o hábito de ler", afirma. Everton de Paula também ficou bastante contente ao saber que seu conto foi citado. “Fico feliz que a história ‘Uma Noite de Crueldade’ significou para alguns leitores o resgate de amor a nossa cidade", disse. Com opinião semelhante, o escritor Luiz Cruz valorizou o interesse dos jovens por este tipo de leitura. "É curioso saber que eles gostaram dos contos, principalmente por serem jovens. Geralmente, o alvo de minhas publicações é um público mais maduro, e ver os novatos se interessando, além de ser uma surpresa é uma gratificação valiosa para nós escritores", conclui.

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