Vida sob a batina


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Uma vida dedicada exclusivamente a Deus, abdicando-se de baladas, convívio com a família, amigos, passeios e namoradas. O que para muitos jovens pode parecer impossível, é uma rotina diária para os seminaristas. Engana-se quem pensa que o dia-a-dia destes jovens é fácil. Muito estudo, trabalho e orações fazem parte das tarefas exercidas por eles (veja quadro nesta página), que atenderam à sua vocação e, daqui a alguns anos, serão ordenados sacerdotes. Para o seminarista João Bernardino Júnior, 26, ser padre não é uma profissão. “Como o próprio nome diz, não somos profissionais, não visamos lucro com o nosso trabalho, tanto que em breve faremos os votos de pobreza. Atendemos ao chamado de Deus por nossa vocação, para servir ao próximo. Isso não tem preço”. A opção pela vida religiosa surpreendeu não só os familiares de João Bernardino. “Quando minha ex-namorada ficou sabendo, ela levou um susto, mas depois entendeu e aceitou numa boa”. O frei Ademildo Gomes, 30, sacerdote há 12, disse que descobriu sua vocação quando participou de um encontro religioso na cidade de Castelo (ES), sua terra natal. “Eu tinha 16 anos e, quando fui a este retiro vocacional, senti que Deus me chamava para uma vida religiosa. Dois anos depois, resolvi entrar para o seminário”, decisão que não foi aprovada por seus familiares. “Eles queriam que eu começasse a trabalhar, para ajudar nas despesas em casa. Mas, alguns anos depois, eles compreenderam minha opção e hoje estão até mais unidos”. FORMAÇÃO Para se tornar padre, o jovem deve procurar um seminário, de preferência após participar de um encontro vocacional. Antes da ordenação, o seminarista tem que cursar 3 anos de filosofia e depois mais quatro de teologia. Segundo frei Ademildo, o salário dos padres diocesanos varia entre R$ 380 a R$ 720. “O valor pago varia conforme a disponibilidade financeira da diocese que o padre trabalha. Como pertenço à Ordem dos Agostinianos Recoletos, que fazem votos de pobreza, tudo que recebo é disponibilizado em prol da comunidade em que trabalhamos”. No seminário da Igreja Nossa Senhora Aparecida (Capelinha), o seminarista vive praticamente em regime de internato, tendo direito a apenas duas saídas por mês. “Fazemos passeios pela cidade, vamos ao shopping, cinema ou em soveterias. Saímos aos sábados por volta das 19 horas e temos que voltar até as 23, senão tomamos um puxão de orelha”, afirmou José Wilson Fabrício, seminarista que veio de Pernambuco e cursa o segundo ano de Filosofia. Na Diocese de Franca, que compreende 19 municípios e 30 paróquias, trabalham 58 sacerdotes. Nos dois seminários da cidade, localizados na Vila Aparecida e na estrada antiga para Ribeirão Corrente, 20 jovens estudam para seguir a carreira sacerdotal. A idade mínima para ingressar no seminário é 18 anos. SERVIÇOS O seminário da Igreja Nossa Senhora Aparecida está localizado na Rua Distrito Federal, 1341, na Vila Aparecida. O telefone para informações é (16) 3721-6405. Já o Seminário Diocesano Nossa Senhora do Patrocínio fica localizado na Rodovia Franca/Ribeirão Corrente, km 4. Telefone (16) 3701-0222.

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